Economista Michael França alerta que juros altos por muito tempo travam o crescimento
Mercado projeta Selic em 13,25% no fim de 2026 e em 12% no fim de 2027, e o economista vê risco de mais concentração de patrimônio.
Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 2 min de leitura

O economista Michael França, colunista da Folha de S.Paulo, afirmou em artigo publicado nesta segunda (19) que o Brasil corre o risco de conviver com juros elevados por muito tempo. Na avaliação dele, isso limitaria o crescimento e favoreceria a concentração de patrimônio, porque os ativos financeiros estão muito concentrados entre os mais ricos.
Para quem vive no Rio Grande do Sul, a discussão passa pelo preço do dinheiro. A Selic é a taxa de referência da economia e serve de base para financiamentos, capital de giro e investimento. Juros altos por mais tempo significam crédito mais caro para produtores, indústrias e comércio, e rendimento maior para quem tem aplicações.
O que o mercado espera para a Selic
Em 16 de setembro, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a Selic de 14,00% para 13,75% ao ano, o quinto corte consecutivo. Até o fim do ano estão previstas mais duas reuniões do Copom.
No relatório Focus divulgado nesta segunda (19), a mediana das expectativas do mercado para a Selic no fim de 2026 seguiu em 13,25%. Para o fim de 2027, a estimativa ficou em 12,00%. O mercado não vê a taxa voltando a um dígito no horizonte das projeções.
O Copom justificou a cautela na ata da última reunião. O comitê citou um cenário de aumento da incerteza e de expectativas desancoradas, que pede serenidade na condução da política monetária. O Focus também aponta IPCA de 5,22% e corte na projeção do PIB de 2026.
Juros e concentração de renda no topo
França defende reorganizar as prioridades da política econômica para crescer e distribuir melhor a renda e o patrimônio, sem comprometer a capacidade futura de financiamento do Estado.
Dados da Receita Federal ajudam a dimensionar o tema. Segundo levantamento com base nas declarações de Imposto de Renda, o 0,1% mais rico chegou a 13,1% da renda nacional em 2024, ante 10,2% em 2020. Parte da explicação estaria nos juros: com taxas elevadas, quem tem aplicações financeiras passa a receber retornos maiores. Os números medem renda, não patrimônio.
O Banco Central divulga novo Focus na próxima segunda (26), e o Copom ainda se reúne duas vezes antes do fim de 2026.
Saber mais
- Michael França, coluna na Folha de S.Paulo (19/10/2026)
- Focus do Banco Central, Selic 2026 e 2027 (Estadão Conteúdo, 19/10/2026)
- Focus: Selic, PIB e IPCA (SpaceMoney, 19/10/2026)
- Focus: Selic 2027 em 12,00% (Tribuna do Sertão, 19/10/2026)
- Boletim Focus e reuniões do Copom (TrendsCE, 13/10/2026)
- Concentração de renda no topo, dados da Receita Federal (Revista Oeste)
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