Economista do UBS diz que Lula ou Flávio terá de ajustar as contas e rever promessas
Solange Srour afirma que, sem queda dos juros, o crédito encolhe e a inadimplência sobe; projeções de mercado mantêm déficit nas contas do governo em 2026 e 2027.
Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 2 min de leitura

A economista Solange Srour é diretora de macroeconomia para o Brasil no UBS Global Wealth Management. Ela afirmou que o próximo presidente, Lula (PT) ou Flávio Bolsonaro (PL), terá de ajustar as contas públicas e, com isso, mudar parte do que prometeu na campanha. A fala foi dada ao programa Acerto de Contas, da Rádio Gaúcha, e publicada nesta segunda (19) na coluna de Giane Guerra, da GZH.

Para quem vive no RS, o recado tem efeito direto no bolso. Srour avalia que, se os juros não caírem, o país enfrenta uma crise de crédito. Segundo ela, a renda das famílias já está muito comprometida com dívidas, os bancos tendem a emprestar menos e a inadimplência sobe. O cenário atinge quem financia casa e carro, e também empresas gaúchas que dependem de capital de giro.
"Por bem ou por mal"
Segundo a coluna, uma série de economistas avalia que as promessas dos dois candidatos não cabem nas contas do governo. Para Srour, o ajuste virá de qualquer forma. "Se não por bem, vai por mal", disse a economista, que prevê a correção depois que a crise se instalar.
A coluna chama a mudança de rumo de estelionato eleitoral. Não é o crime do Código Penal. O termo, comum na ciência política, descreve o político que se elege com uma proposta e depois adota política diferente.
O texto também afirma que, sem ajuste fiscal, o Brasil terá inflação e juros altos por mais tempo. Segundo a coluna, o tema aparece pouco, e com pouca profundidade, na propaganda eleitoral e nos debates.
O que o mercado projeta para as contas
O Prisma Fiscal, levantamento do Ministério da Fazenda com projeções do mercado, indica déficit primário do Governo Central um pouco maior neste ano. A mediana subiu de R$ 52,271 bilhões para R$ 53,048 bilhões em 2026. Para 2027, a estimativa caiu de R$ 45,350 bilhões para R$ 44 bilhões.
A dívida bruta do Governo Geral deve fechar 2026 em 83,4% do PIB e chegar a 87% em 2027.
A meta oficial é mais exigente que as projeções. O governo prevê superávit de 0,25% do PIB em 2026 (R$ 34,3 bilhões).
Serviço
O segundo turno da eleição presidencial é no domingo (25). O Acerto de Contas vai ao ar na Rádio Gaúcha, com apresentação de Giane Guerra.
Perguntas frequentes
Quando é o segundo turno da eleição presidencial de 2026?
Domingo (25), segundo a matéria.
Qual é a meta oficial de resultado primário do governo em 2026?
Superávit de 0,25% do PIB, o equivalente a R$ 34,3 bilhões.
Quanto o mercado projeta de déficit primário do Governo Central em 2026?
Mediana de R$ 53,048 bilhões, segundo o Prisma Fiscal do Ministério da Fazenda.
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