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Ações de defesa dos EUA caem 16% desde julho com aposta em vitória democrata

Investidores temem que um Congresso de maioria democrata trave os US$ 500 bilhões extras em gastos militares propostos por Donald Trump; o S&P 500 subiu 3,5% no período.

Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 2 min de leitura

Caça F-35 em voo durante apresentação aérea, com névoa de condensação ao redor da aeronave.
Foto: Airman 1st Class Alexander Cook / Wikimedia Commons (Public domain)

O fundo iShares U.S. Aerospace and Defense caiu 16% entre julho e meados de outubro, enquanto o S&P 500 subiu 3,5%. O motivo é a aposta de que os democratas ganhem força na eleição de meio de mandato, em 3 de novembro. Com isso, travariam o plano do presidente Donald Trump de elevar o orçamento militar.

A proposta é levar o gasto anual de US$ 1 trilhão para US$ 1,5 trilhão, aumento de US$ 500 bilhões. Quem tem fundos de ações americanas com exposição ao setor sente o movimento na carteira. Não há, até aqui, efeito identificado sobre empresas ou empregos no Rio Grande do Sul.

Quedas chegam a 36% nas gigantes

Na plataforma de mercados de previsão Kalshi, a expectativa de que os democratas retomem as duas Casas do Congresso subiu 20 pontos percentuais no mesmo período. Desde os picos de início de março, Lockheed Martin acumula queda de mais de 20%, Northrop Grumman de 35% e L3Harris de 36%.

Robert Stallard, analista da Vertical Research Partners, afirma que o desempenho das ações acompanha de perto as perspectivas políticas de Trump e o risco de os republicanos perderem o Senado. Projetos ligados ao nome do presidente, como a "Frota Dourada" e o "Domo Dourado", seriam os mais expostos.

Byron Callan, da Capital Alpha Partners, diz que ninguém no Partido Democrata defende cortes drásticos na defesa. Para ele, porém, os democratas vão querer mais gastos em outras áreas, e o orçamento militar entrará nessa negociação. Caças F-35 e mísseis Sentinel devem ser os mais questionados.

Pacote de US$ 350 bilhões segue parado

Do total de US$ 1,5 trilhão, a parcela de US$ 350 bilhões, a ser aprovada por reconciliação, segue travada no Congresso por divergências sobre como financiá-la. Republicanos preocupados com o déficit resistem a somar centenas de bilhões em defesa sem cortes em outras áreas. Deputados republicanos também ameaçam barrar o pacote se o governo não endurecer com a Rússia.

O Pentágono mantém a pressão. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, disse que a gestão continuará buscando ao menos US$ 350 bilhões por reconciliação, qualquer que seja o resultado da eleição.

Analistas veem demanda firme

Mesmo com a alta dos gastos globais e a demanda firme de Ucrânia e Oriente Médio, as ações do setor seguem sob pressão. Os grandes fornecedores já têm dificuldade para entregar as encomendas acumuladas, e a reposição de estoques de munição não virou entusiasmo de investidor. Para a Cantor Fitzgerald, conflitos prolongados enfraquecem a dissuasão americana e tendem a favorecer as empresas já estabelecidas.

Randy Gwirtzman, gestor da Baron Capital, vê um equívoco na leitura de que uma vitória democrata prejudicaria o setor, e diz que as empresas menores foram as mais atingidas. A eleição de meio de mandato é em 3 de novembro.

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