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Inadimplência rural bate recorde de 9,7% e aperta o crédito da safra de verão no RS
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Inadimplência rural bate recorde de 9,7% e aperta o crédito da safra de verão no RS

Dívida problemática do crédito rural gaúcho soma R$ 45 bilhões, 41,3% da carteira do estado, e a MP de renegociação vence em 11 de novembro.

Por que afeta o RS: Restrição nacional de crédito atinge produtores gaúchos que dependem de financiamento para custeio, insumos e renegociação de dívidas.

Redação Bairrista · 18 de outubro de 2026 às 15:13 · 3 min de leitura

Ilustração: produtor rural gaúcho em lavoura, cenário do aperto no crédito para a safra de verão. Foto de crédito: Divulgação/Www.
Foto: Divulgação/Www

A inadimplência de produtores rurais pessoa física chegou a 9,7% em agosto de 2026, o maior índice da série do Banco Central. O número equivale a 9,69% da carteira de crédito rural com recursos direcionados, contra 0,95% em agosto de 2023. O indicador mede operações com atraso superior a 90 dias.

A conta chega ao Rio Grande do Sul na hora do plantio. Segundo a Assessoria Econômica da Farsul, o saldo problemático do crédito rural gaúcho é de R$ 45 bilhões. Esse valor equivale a 41,3% de toda a carteira rural do estado e é cinco vezes maior que o de janeiro de 2024, antes da enchente.

Bancos emprestam com mais cautela O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Guilherme Campos, afirmou que os indicadores refletem aperto financeiro, endividamento elevado e falta de liquidez no setor desde 2025. O avanço dos atrasos faz as instituições financeiras liberarem novas linhas de forma mais cautelosa.

O ritmo de contratação confirma o freio. Análise da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), com dados do Banco Central, mostra R$ 52,4 bilhões em crédito rural contratado no país em julho e agosto de 2026. No mesmo período de 2025, foram R$ 71,2 bilhões: queda de 26,4%.

O Ministério da Agricultura informou que o crédito à agricultura empresarial somou R$ 107,1 bilhões nos três primeiros meses da safra 2026/27, de julho a setembro. Desse total, R$ 20,4 bilhões saíram de linhas com recursos equalizáveis, cuja programação para a safra é de R$ 97,6 bilhões. Ou seja, pouco mais de um quinto do previsto foi contratado até setembro.

MP das dívidas alcança 9,9% do problema no RS A Medida Provisória 1.376/2026, publicada em 15 de julho, autoriza linhas para renegociar dívidas de custeio, investimento e CPR. Os juros vão de 6% a 12% ao ano, com prazos de até dez anos. A carência pode chegar a dois anos, conforme o enquadramento da operação.

Segundo a Farsul, as operações contratadas no RS pela MP somam R$ 4,47 bilhões, ou 9,9% do saldo problemático. No país, foram R$ 5,27 bilhões, e o Rio Grande do Sul concentra 85% desse total.

A federação também calcula que o saldo problemático gaúcho cresceu R$ 5,1 bilhões entre abril e julho, mais do que a MP contratou no estado. Em julho, a entidade estimou que só 11,7% do saldo devedor de uma amostra de contratos cabia nas regras da MP.

O presidente do Sistema Farsul, Domingos Velho Lopes, defende votação urgente no Congresso. Ele argumenta que os bancos já tomam a decisão sobre o crédito e ela pode ficar definida antes de a lei entrar em vigor. O relatório do deputado Paulo Pimenta, relator da MP, permite que produtores adimplentes acessem a linha sem renegociação prévia.

A MP tem validade até 11 de novembro e ainda depende de votação na comissão mista, na Câmara e no Senado, antes de ir à sanção. A Farsul seguirá defendendo ajustes ao texto, como contar o prazo de contratação a partir da publicação da lei e incluir parcelas do Fundo Social que vencem em 2026.

Perguntas frequentes

Qual é o valor da inadimplência rural no RS?

O saldo problemático do crédito rural gaúcho é de R$ 45 bilhões, equivalente a 41,3% da carteira rural do estado, segundo a Farsul.

Até quando vale a MP 1.376/2026?

A medida provisória tem validade até 11 de novembro e ainda depende de votação na comissão mista, Câmara e Senado.

Quais são os juros da renegociação pela MP?

Os juros variam de 6% a 12% ao ano, com prazos de até dez anos e carência de até dois anos, conforme o enquadramento.

Quanto a MP já contratou no RS?

As operações contratadas no RS somam R$ 4,47 bilhões, ou 9,9% do saldo problemático do estado.

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