Vacância de galpões de alto padrão cai a 4,9% no país; aluguel pedido sobe 16%, diz JLL
Mercado Livre e Shopee respondem por 42% da absorção do trimestre, e o RS não aparece entre os estados detalhados pela consultoria.
Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 2 min de leitura

A vacância dos galpões industriais e logísticos de alto padrão no Brasil caiu para 4,9% no 3º trimestre de 2026, o menor patamar da série histórica, segundo a consultoria JLL. O aluguel médio pedido passou de R$ 30,40 para R$ 35,20 por metro quadrado entre o segundo e o terceiro trimestre, alta de 16%. Em 12 meses, o avanço é de 12%.
Para o Rio Grande do Sul, o dado nacional chega com uma ausência: o RS não está entre os estados detalhados no balanço da JLL. Outra consultoria, a CBRE, mostrou cenário diferente em levantamento divulgado em setembro. Rio Grande do Sul e Santa Catarina tinham as maiores taxas de vacância entre os mercados relevantes, com dois dígitos nos dois estados. No RS, o estoque era de 1.464.000 m², com vacância de 11,7%. Os números não são comparáveis, porque cada empresa usa seu próprio recorte.
E-commerce lidera a procura\n\nA JLL calcula que o Mercado Livre respondeu sozinho por 30% da absorção do trimestre, e a Shopee, por outros 12%, o que soma 42%. Segundo o analista de Pesquisa e Estratégia da JLL, Rafael Picerni, sem as duas empresas talvez não se falasse em recorde. Do estoque entregue no trimestre, 80% já estava ocupado.
O gerente da Divisão Industrial e Logística da JLL, André Romano, vê ainda um efeito das eleições e da reforma tributária. Segundo ele, empresas antecipam a assinatura de contratos por receio de mudanças que os encareçam, e as projeções para os juros também pesam. Os inquilinos, diz, travam o valor atual por perceberem que o preço sobe a cada trimestre.
Santa Catarina vira "refúgio" da indústria\n\nO mercado nacional soma 40.202.545 m², e 49,9% estão em São Paulo. Veja os números por estado:
- São Paulo: vacância de 4,4% e pedida de R$ 43,4 por m²;
- Minas Gerais: 3,4% e R$ 32,4 por m²;
- Rio de Janeiro: 7,7% e R$ 34,5 por m²;
- Santa Catarina: 9,7% e R$ 29,8 por m².
Romano afirma que a indústria é o setor com mais dificuldade, porque muitas fabricantes recebem pela primeira vez pedidos de reajuste com a ascensão do e-commerce. "Santa Catarina virou um refúgio da indústria", disse, citando incentivos fiscais, portos que movimentam contêineres da China e mão de obra qualificada. Picerni afirma que a expectativa é de mais entregas catarinenses nos próximos semestres.
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