ANPD dá cinco dias úteis para a Meta explicar bloqueios de contas e remoção de posts
Procedimento aberto na sexta (16) após pedido do MPF mira Instagram e Facebook; relatos com possível repercussão eleitoral foram enviados ao TSE.
Por que afeta o RS: Milhões de usuários gaúchos de Instagram, Facebook e WhatsApp podem ser afetados pelas práticas de suspensão e remoção de conteúdo investigadas.
Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 2 min de leitura

A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) notificou a Meta nesta segunda (19) e deu à empresa cinco dias úteis para explicar como suspende contas, remove publicações e restringe o alcance de conteúdos no Instagram e no Facebook. A Superintendência de Fiscalização abriu o procedimento administrativo na sexta-feira (16), depois de receber denúncias sobre possíveis irregularidades nesses critérios e nos procedimentos de contestação das decisões.

Para o usuário gaúcho, a apuração importa porque as regras da Meta valem para qualquer conta no Brasil, em Porto Alegre ou no interior. A Meta também é dona do WhatsApp, mas os documentos da ANPD citam só Instagram e Facebook. A agência não informou quantas denúncias vieram do Rio Grande do Sul.
Quem denunciou e o que foi relatado
O processo nasceu de uma manifestação do Ministério Público Federal (MPF), de denúncias de organizações da sociedade civil que atuam na defesa da liberdade de expressão e dos direitos digitais e de petições de cidadãos aos canais oficiais da ANPD. Entre as queixas estão a falta de fundamentação específica aos usuários afetados, a ausência de critérios claros e bloqueios reiterados apontados como indevidos ou pouco transparentes.
O que a Meta terá de responder
A empresa precisa explicar como funcionam as notificações (denúncias), a remoção de conteúdos e a suspensão de contas, com os critérios usados. Também deve detalhar as informações dadas aos usuários e os mecanismos para evitar o uso abusivo das denúncias.
A ANPD quer saber ainda como a Meta decide com base em tratamento automatizado de dados pessoais e como organiza a revisão dessas decisões quando o usuário recorre. A agência não informou o prazo que a empresa leva para analisar esses recursos.
A notificação foi assinada pelo superintendente de Fiscalização da ANPD, Fabrício Guimarães Madruga Lopes, e endereçada ao representante da Meta, Ricardo Dalmaso Marques.
Eleição e TSE
Os relatos com possível repercussão eleitoral foram encaminhados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo a ANPD, o procedimento trata de possíveis irregularidades de caráter geral, sem relação direta com o processo eleitoral. A agência não detalhou quais casos seguiram para o TSE.
Os questionamentos têm base na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e no Marco Civil da Internet, com regulamentação atualizada pelo Decreto nº 12.975/26. A abertura do procedimento não significa que a Meta tenha cometido as irregularidades denunciadas.
Próximos passos
Depois de analisar as informações da Meta e a conformidade dos procedimentos com a LGPD e o Marco Civil, a ANPD poderá adotar medidas adicionais de fiscalização. A agência não disse quais seriam essas medidas. A Meta não tinha divulgado resposta até a publicação desta matéria. Os documentos públicos do Processo nº 00261.006100/2026-16 podem ser consultados no Sistema Eletrônico de Informações (SEI) da ANPD.
Perguntas frequentes
Quantos dias a Meta tem para responder à ANPD?
Cinco dias úteis, a partir da notificação feita nesta segunda (19).
Quem denunciou os bloqueios de contas à ANPD?
Denúncias vieram do Ministério Público Federal, de organizações da sociedade civil e de cidadãos pelos canais oficiais da agência.
As regras da Meta valem para usuários do Rio Grande do Sul?
Sim, as regras da Meta valem para qualquer conta no Brasil, incluindo usuários do interior e de Porto Alegre.
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