Tarcísio diz que a eleição acabou e pede respeito às urnas após carta de Flávio
Governador de São Paulo se afasta do senador, que trocou "presidente eleito" por "líder do Brasil" e apagou a primeira versão; a PF apura o descumprimento de ordens do STF.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 3 min de leitura

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta quarta (28) que entende a indignação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), mas que o caminho é respeitar o resultado das urnas. A manifestação veio depois de Flávio divulgar uma carta na qual se autodeclarou o verdadeiro presidente eleito do Brasil. Tarcísio se pronunciou por meio de nota enviada à imprensa.
A posição do governador é diferente da do senador. Tarcísio defendeu que o momento exige responsabilidade e respeito às instituições democráticas.
Tarcísio pede olhar para a frente e respeito às urnas
"A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente." Foi assim que o governador abriu o texto. Ele disse entender o sentimento, a indignação e a revolta de Flávio, e afirmou que esse sentimento é o de muitos brasileiros.
"Mas o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente", afirmou Tarcísio na nota. O governador defendeu superar a disputa e construir uma oposição forte.
O texto também fala em oposição forte e dentro das regras. Tarcísio afirmou que o momento pede responsabilidade e serenidade. Segundo ele, "respeitando o processo democrático e trabalhando dentro das instituições" se fortalece o sistema de freios e contrapesos.
Carta alegava fraude sem provas e foi reescrita
Flávio publicou uma carta de três páginas na qual se autoentitulava "verdadeiro presidente do Brasil" e alegava fraude eleitoral sem apresentar provas. Também criticava o Judiciário e dizia que ele lideraria a oposição a Lula a partir do exterior.
A leitura de teor golpista vem da combinação desses pontos: um candidato derrotado se declara presidente e põe em dúvida a votação. A eleição foi reconhecida pelo Judiciário, por organismos internacionais e pela oposição, incluindo o PL, partido de Flávio.
Flávio apagou a primeira versão e publicou outra, na qual "presidente eleito" deu lugar a "líder do Brasil".
Senadores chamam contestação de "ridícula" e "ofensa"
No plenário do Senado, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) chamou a contestação de "ridícula" e disse que esse tipo de atitude causa prejuízo ao país. O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso, classificou a iniciativa como "ofensa" ao processo eleitoral e às décadas de construção democrática.
A União Brasil disse que era hora de encerrar a disputa. O MDB declarou confiança no sistema eleitoral e na legitimidade do resultado.
PF apura descumprimento de ordens do STF
A Polícia Federal informou, em nota, que pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) medidas cautelares no domingo (25). Entre elas estavam a apreensão de passaportes, a proibição de sair do país e a restrição de contato com outros investigados. A PF disse ter identificado risco de Flávio deixar o Brasil.
Segundo a nota, os passaportes brasileiros comum e diplomático foram cancelados, e um alerta migratório foi inserido no sistema Sonar. Na segunda (26), Flávio foi intimado a entregar em 24 horas eventuais passaportes de outras nacionalidades. A PF afirma que isso não ocorreu.
A corporação informou não haver registro oficial de saída de Flávio pelos postos brasileiros de controle migratório. A nota trata do descumprimento das ordens judiciais e não menciona a carta. A PF disse que segue investigando as circunstâncias do descumprimento, no procedimento PET nº 16877/DF, em tramitação no STF.
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