Anistia Internacional vai denunciar Milei à ONU e à CIDH por ataques a cinco jornalistas
Presidente argentino disse que jornalistas devem "queimar na fogueira" no mesmo dia em que a Justiça encerrou o caso $LIBRA; a ONG promete formalizar as denúncias nesta semana.
Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 2 min de leitura

A Anistia Internacional anunciou nesta segunda (26) que levará à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e à ONU os ataques do presidente argentino, Javier Milei, a jornalistas. Os profissionais cobriram o caso $LIBRA. A organização disse que formalizará as denúncias nesta semana. A Anistia não informou prazo de análise nos dois organismos.

Os insultos ocorreram na sexta (23), em um encontro da Fundação Faro. Milei citou Hugo Alconada Mon, Carlos Pagni, Paulino Rodrigues, Natalia Volosin e Luis Novaresio. Chamou os cinco de "ensobrados, corruptos, mercenários da mentira e fabricantes seriais de operações". Também disse que os "que têm de queimar na fogueira" são os jornalistas, em frase com palavrão.
O que diz a Anistia
Para a ONG, as falas vão além de uma crítica à cobertura, porque apontam profissionais identificados e os estigmatizam em público. Mariela Belski é diretora-executiva da Anistia Argentina. Ela afirmou que, quando o presidente usa imagens de violência contra quem questiona seu governo, contribui para um clima de intimidação que pode habilitar novas agressões. A entidade pede que Milei e outros funcionários nacionais parem com mensagens intimidatórias e estigmatizantes contra a imprensa.
O Foro de Jornalismo Argentino (Fopea) registrou 278 ataques à imprensa em 2025, alta de 55% sobre o ano anterior. O relatório aponta Milei como autor de 119 deles.
O caso $LIBRA
O juiz federal Marcelo Martínez de Giorgi encerrou a causa contra Milei e a irmã, Karina, que apurava suposta fraude com o lançamento da criptomoeda. A decisão alcançou outros nove investigados, ao considerar que os fatos não se enquadram em figura penal. O magistrado seguiu o pedido do fiscal Eduardo Taiano. Um investidor já recorreu do sobreseimento, segundo o jornal Ámbito.
Milei havia promovido a moeda em suas redes em fevereiro de 2025. A sentença diz que a publicação pode ter influenciado compradores, mas que não ficou comprovado engano concreto, pagamento indevido a funcionários nem tráfico de influência.
A Anistia deve protocolar as petições na CIDH e na ONU ao longo desta semana, até sexta (30).
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