Israel vota na 1ª eleição após 7 de outubro; Netanyahu e Eisenkot disputam voto a voto
Mais de 7 milhões de eleitores escolhem as 120 cadeiras do Knesset, e nenhum dos dois blocos principais chega a 61 nas pesquisas.
Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 3 min de leitura

Israel vota nesta terça (27) na primeira eleição desde o ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023. Mais de sete milhões de eleitores aptos devem votar em mais de 12 mil locais de votação. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, há 19 anos no poder com o Likud, tenta se manter no cargo contra o ex-chefe do Estado-Maior Gadi Eisenkot, do partido Yashar.
O resultado define quem comanda Israel na negociação sobre o futuro dos palestinos. A apuração em cédula de papel faz a contagem avançar por etapas, e o quadro final do Parlamento pode mudar nos próximos dias.
Pesquisas apontam disputa apertada
As últimas pesquisas mostraram Netanyahu sem vitória clara. Eisenkot também ficou aquém da maioria e, para tirar o premiê do poder, provavelmente precisaria do apoio dos partidos árabes.
O levantamento do Canal 13 colocou o bloco de Netanyahu em 50 cadeiras, queda das 64 atuais. O bloco de Eisenkot, que reúne partidos de direita, centro e esquerda, teria 54. O Knesset tem 120 assentos, e 61 é o número necessário para a maioria.
Os institutos divergem sobre qual partido é o maior. A pesquisa do Canal 12 dá 23 cadeiras ao Yashar e 21 ao Likud. No Canal 14, favorável a Netanyahu, o Likud aparece com 30 e Eisenkot com cerca de 20. Atrás dos dois vem uma aliança de dois ex-primeiros-ministros de centro-direita, o B'Yachad ("Juntos"). As pesquisas mais recentes lhe dão 14 cadeiras.
Os partidos menores pesam na conta. A cláusula de barreira é de 3,25% dos votos. Quem fica abaixo disso perde as cadeiras, e a distribuição entre os blocos pode mudar.
Palestinos, reféns e o 7 de outubro
Nem Netanyahu nem Eisenkot apoiam a criação de um Estado palestino num futuro previsível. Eisenkot integrou o gabinete de guerra formado depois do ataque e saiu do governo criticando a condução da ofensiva em Gaza. Ele acusa Netanyahu de negligenciar o resgate dos reféns e de não ter agido para evitar o ataque, apesar de alertas. O premiê nega as acusações.
A campanha também girou em torno de segurança, alistamento militar e economia. As pesquisas indicam que o custo de vida também pesa para muitos eleitores.
Por que o resultado demora
O voto é em papel. O eleitor coloca a cédula com a letra do partido num envelope, lacra e deposita na urna. A contagem começa quando as urnas fecham, às 22h locais. Resultados parciais saem ao longo da noite.
Há um segundo passo. Soldados, policiais, presos, pacientes internados e outros grupos votam em "envelope duplo". Por isso a distribuição das cadeiras pode mudar mesmo depois da contagem das cédulas comuns. A Comissão Central Eleitoral estima concluir a contagem até a tarde de quinta (29). O prazo legal para o resultado oficial é 4 de novembro.
O que vem depois das urnas
Com blocos abaixo de 61, a formação do governo tende a ser longa. Em até sete dias após o resultado oficial, o presidente consulta os partidos eleitos e encarrega um deputado de formar o governo. A emissora NPR avalia que podem passar semanas ou meses até que se saiba quem será o indicado.
As relações do Brasil com Israel dependem do governo que sair dessa negociação.
Serviço: as urnas fecham às 22h em Israel, 17h em Brasília. Os resultados parciais saem na noite de terça (27) no site da Comissão Central Eleitoral, em bechirot.gov.il. A contagem deve terminar até quinta (29), e o resultado oficial sai até 4 de novembro.
Saber mais
- CNN, cobertura ao vivo da eleição em Israel
- CNN, o que está em jogo na eleição
- NPR, guia da eleição em Israel
- NBC News, o que saber sobre a eleição
- Al Jazeera, resultados e próximos passos
- Israel Policy Forum, como os resultados são calculados
- Israel National News, guia do dia da eleição
- The State of Israel, painel de resultados
- Map the General, resultados ao vivo
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