Delator nega saber que US$ 12,3 milhões iriam para Dark Horse; PF vê contradições
Polícia Federal pede ao STF mais 90 dias de inquérito e cita carta-acordo e depósito de R$ 12 milhões que divergem do depoimento de Mineiro.
Redação Bairrista · 17 de outubro de 2026 às 09:07 · 2 min de leitura

Em delação premiada, o empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro, falou à Polícia Federal sobre repasses a um fundo nos Estados Unidos. Ele disse que Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, não lhe informou que o dinheiro bancaria o filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A PF aponta aparentes contradições entre o depoimento e os documentos da investigação e pediu ao STF mais 90 dias para aprofundar a análise.
O pedido de prorrogação foi apresentado ao relator, ministro André Mendonça, e veio a público na sexta (16). O inquérito foi instaurado no fim de julho e tinha prazo inicial até 10 de outubro.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, está formalmente entre os investigados e nega irregularidades.
O que Mineiro disse à PF
No depoimento de 1º de outubro, Mineiro afirmou ter mantido uma "estreita parceria de negócios" com Vorcaro desde 2017. Disse que a demanda para enviar US$ 12,3 milhões (cerca de R$ 62 milhões) ao exterior partiu de Fabiano Zettel e foi confirmada por Vorcaro. Zettel é pastor e cunhado do banqueiro.
Segundo o delator, a operação foi apresentada como investimento em empreendimentos imobiliários no Texas e na Flórida. O negócio era ligado à empresa de Paulo Calixto, advogado associado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Ele afirmou que soube do destino real do dinheiro pela imprensa. Disse também que pediu o resgate integral dos valores e o balancete do fundo Havengate, sem resposta dos gestores.
Mineiro declarou ainda que os aportes saíram de saques da conta garantida no Banco Master, venda de ativos e caixa próprio. Afirmou não ter tido contato com autoridades políticas na operação, como Flávio Bolsonaro.
Onde a PF vê divergência
A PF diz que, na análise preliminar, os documentos confirmam valores e instituições envolvidas, mas trazem pontos que divergem do depoimento ou pedem aprofundamento. Os investigadores citam:
uma carta dirigida à Entre Investimentos, empresa de Mineiro, com compromisso de US$ 24 milhões e cronograma de pagamentos justificado pelos prazos do filme. A PF chama isso de "aparente contradição" com o depoimento;
- um depósito de R$ 12 milhões da Super Empreendimentos na conta da Entre na véspera da primeira remessa. Para a PF, esse aporte não corresponde às fontes declaradas por Mineiro;
- falta de comprovantes de parte das remessas.
Pelos cálculos da PF, o total previsto para o filme era de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões. Os documentos também não permitem identificar as contas de origem dos recursos enviados pela Go Up, produtora da obra.
O que falta para fechar o inquérito
O delegado Anderson Rodrigo Andrade de Lima pediu a prorrogação para concluir perícias contábeis e aguardar o pedido de cooperação internacional com os Estados Unidos.
Flávio afirma que apenas buscou patrocínio privado para um filme sobre o pai e nega ter dado contrapartidas.
A prorrogação depende de decisão de Mendonça. Se o ministro conceder os 90 dias, o prazo do inquérito se estende até o início de 2027.
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