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PF contesta versão de delator e pede ao STF mais 90 dias no caso Dark Horse

Carta-acordo entregue pelo próprio empresário Antônio Carlos Freixo Júnior cita a produção do filme e contradiz a alegação de que ele acreditava investir em imóveis nos EUA.

Redação Bairrista · 17 de outubro de 2026 às 02:22 · 3 min de leitura

PF contesta versão de delator e pede ao STF mais 90 dias no caso Dark Horse
Foto: Agência Senado from Brasilia, Brazil / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

A Polícia Federal pediu nesta sexta (16) ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a prorrogação por 90 dias do inquérito sobre o financiamento do filme "Dark Horse". No pedido, a PF contesta o depoimento do delator Antônio Carlos Freixo Júnior. Ele diz ter repassado US$ 12,3 milhões a um fundo americano sem saber que o dinheiro bancaria a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Quadro: PF contesta versão de delator e pede ao STF mais 90 dias no caso Dark Horse
Entenda em um quadro · Bairrista

O inquérito mira o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Os dois negam irregularidades no financiamento do filme. Cabe a Mendonça decidir se estende a investigação, cujo prazo inicial terminou em 10 de outubro .

O que o delator disse à PF

Em depoimento no dia 1º de outubro, Freixo, dono da Entre Investimentos, afirmou que a operação lhe foi apresentada como subscrição de cotas de um fundo imobiliário nos EUA. Segundo ele, a demanda partiu de Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, e foi confirmada pelo ex-dono do Banco Master. A justificativa para usar a Entre Investimentos era um entrave cadastral na empresa de Zettel para atuar como investidora no exterior.

Freixo disse que só soube do destino dos recursos pela imprensa e que pediu o resgate por e-mail, sem resposta. Segundo o termo de depoimento, ele "jamais aceitaria" participar de uma operação desse tipo, pelo risco à reputação de suas empresas.

Os documentos mostram sete remessas da Entre Investimentos ao fundo Havengate, entre fevereiro e setembro de 2025, somando US$ 12,3 milhões . O fundo é controlado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro nos EUA. A PF diz que foram remetidos ao exterior R$ 72 milhões, enquanto Freixo recebeu R$ 90 milhões no Brasil. Segundo Freixo, os recursos vieram do Banco Master.

A carta-acordo e as dúvidas da PF

Para a PF, a documentação do próprio colaborador inclui uma carta-acordo com compromisso de investimento de US$ 24 milhões e referência expressa à produção do filme . O texto traz a frase "o tempo é essencial para a produção do filme", em tradução dos investigadores. Segundo a PF, Freixo entregou apenas a primeira página da carta, que já menciona o filme. A polícia pediu o documento completo e explicações à defesa.

A PF também quer os pedidos formais de resgate citados no depoimento. O único e-mail apresentado pede apenas o saldo subscrito e os procedimentos de resgate. Outro ponto: Freixo mencionou recursos próprios, mas a documentação registra depósito de R$ 12 milhões da Super Empreendimentos na véspera da transferência ao exterior .

Segundo o g1, a defesa de Freixo não se manifestou. A delação foi firmada com a PGR e homologada por Mendonça em setembro. Freixo precisa colaborar com a investigação para obter os benefícios do acordo, caso seja condenado.

O que a PF quer fazer em mais 90 dias

A PF justifica a prorrogação pela necessidade de concluir perícias contábeis e aguardar a cooperação internacional com os EUA . Entre as pendências está o acesso a registros do Havengate Development Fund e da Go Up Entertainment LLC. A polícia diz que Freixo poderá ser ouvido de novo. Também pretende ouvir Zettel, Calixto e representantes das produtoras.

O inquérito foi aberto em julho e apura lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção ativa e organização criminosa . A defesa de Flávio Bolsonaro pediu acesso integral aos autos, e a PF informou que quem decide é Mendonça. O ministro analisa agora o pedido de prorrogação e o requerimento da defesa de Flávio.

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