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Zelenski ganha apoio da UE em Bruxelas, mas Europa não substitui o satélite dos EUA

Líderes europeus fecharam fileira com Kiev, mas a Starlink militar e a inteligência sobre mísseis russos seguem dependentes de Washington, em meio à crise com Trump pelo acordo do diesel russo.

Redação Bairrista · 17 de outubro de 2026 às 02:37 · 2 min de leitura

Zelenski ganha apoio da UE em Bruxelas, mas Europa não substitui o satélite dos EUA
Foto: Antoine Meissonnier / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, recebeu apoio político de líderes da União Europeia em Bruxelas, nesta sexta (16). A Europa não consegue repor no curto prazo a ajuda tecnológica que a Ucrânia perdeu em parte nesta semana, com satélites e comunicação militar. Os europeus se uniram em torno dele depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a criticar a Ucrânia.

A crise entre Kiev e Washington pesa sobre o preço da energia e sobre as sanções à Rússia. Zelenski avisou que o acordo de Trump para a Rússia vender diesel ao mercado americano pode ser só o primeiro passo de um alívio maior a Moscou.

Europa não cobre o que os EUA oferecem

A chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, disse que a Europa não consegue substituir, no curto prazo, a capacidade da rede Starlink de que a Ucrânia precisa.

A Ucrânia depende muito da Starlink nas comunicações de campo de batalha e nos drones, incluindo os interceptadores usados contra drones de ataque russos.

Zelenski disse que o país ainda sofre falhas no Starshield, o sistema de satélites militares da SpaceX. Ele é usado em operações de combate e para derrubar drones russos que atacam cidades longe da frente.

Ele afirmou que a Starlink ainda não opera na velocidade anterior, mas que a recuperação está em andamento.

As restrições também atrasaram a entrega de comida e água a tropas em áreas sob vigilância constante de drones russos, segundo o presidente.

Zelenski disse que as forças ucranianas não usam a Starlink para ataques profundos em território russo.

Diesel russo e o medo de novas concessões

Trump pegou Zelenski de surpresa no fim de semana passado ao anunciar um negócio de diesel com a Rússia. Ele também disse que Ucrânia e Rússia tinham combinado não atacar instalações de energia uma da outra.

Diante das eleições legislativas de novembro, o presidente americano culpa os ataques ucranianos a refinarias russas pela alta dos preços de energia, que podem lhe custar votos.

Em Bruxelas, Zelenski disse que o dinheiro voltará a correr para a Rússia por meio do acordo. Ele avisou que não dá para aceitar esse tipo de entendimento, porque "virão acordos de gás".

Na avaliação dele, o alívio chegaria a bancos, pessoas sancionadas e à indústria química.

Perguntado se se sentia bode expiatório de Trump para a alta de preços de energia, Zelenski ficou em silêncio por um bom tempo, sorriu e disse "essa é a minha resposta".

O que vem a seguir

O emissário de Vladimir Putin para investimentos, Kirill Dmitriev, afirmou nesta sexta que já há conversas sobre como retirar sanções.

Ele disse que a Rússia anunciará em breve novas iniciativas conjuntas com os EUA, entre elas projetos de data centers que poderiam usar energia de usinas nucleares russas. A Casa Branca defende o acordo do diesel como forma de baixar preços para o consumidor americano.

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