16% dos eleitores dizem que o Brasil não é democracia, mostra Datafolha
Outros 50% veem um regime com grandes defeitos; entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, o índice dos que negam a democracia chega a 23%.
Redação Bairrista · 17 de outubro de 2026 às 09:04 · 2 min de leitura

Para 16% dos eleitores do Brasil, o país não é uma democracia , segundo pesquisa Datafolha feita em 13 e 14 de outubro. Outros 50% acreditam que o regime democrático tem grandes defeitos, 23% apontam pequenas questões e 7% o veem como pleno.
A pergunta entrou na disputa presidencial entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). O eleitor gaúcho vai decidir o voto num segundo turno em que a qualidade da democracia virou argumento de campanha. A pesquisa é nacional e não traz recorte por estado.
Resultado repete o de março de 2024
O Datafolha havia feito a mesma pergunta pela última vez em março de 2024. Na ocasião, 6% viam democracia plena, 28% uma pouco defeituosa, 46% com grandes problemas e 16% não a reconheciam como tal. O índice dos que negam a democracia, portanto, não mudou. Os que apontam grandes defeitos passaram de 46% para 50%.
Eleitor de Flávio é o mais desconfiado
Flávio tem 46% das intenções de voto. Entre os eleitores dele, 23% negam que o Brasil seja uma democracia, e 2% veem o regime como pleno.
Entre os 44% que votam em Lula, 8% não acham viver numa democracia. O levantamento aponta empate técnico entre os dois candidatos.
Flávio fala em PECs para "redemocratizar" o país
Em 6 de outubro, em Goiânia, Flávio disse que proporia mudanças constitucionais para "redemocratizar" o país. Perguntou aos eleitores se o Brasil está numa democracia plena e respondeu: "Não".
No dia seguinte, o senador explicou a fala. Disse que ela se referia a propostas que já defende: reforma no Judiciário, redução da maioridade penal, alterações na reforma tributária e fim da reeleição.
O candidato afirmou que pretende usar o apoio no Congresso para aprovar propostas de emenda à Constituição (PECs) e negou intenção de adotar medidas fora das regras constitucionais.
Críticos apontam que o questionamento é infundado. Para eles, apesar dos percalços nos Três Poderes, o Estado de Direito pós-ditadura mantém seus esteios, a começar pela regularidade das eleições presidenciais livres desde 1989.
O pai de Flávio, o ex-presidente Jair Bolsonaro, foi condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado após perder a eleição de 2022 para Lula.
Levantamento tem margem de erro de dois pontos
O Datafolha entrevistou 2.520 eleitores em todo o país, a pedido da Folha de S.Paulo. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Está registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-0466/2026. As entrevistas foram feitas em 13 e 14 de outubro.
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