Vitória de Lula freia avanço da direita aliada a Trump na região, apontam análises
Com 51,79% dos votos válidos no segundo turno, o petista interrompe uma sequência de sete vitórias conservadoras em eleições presidenciais latino-americanas.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 2 min de leitura

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito neste domingo (25) e, na leitura da imprensa internacional, impede que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ganhe um reforço entre os governos latino-americanos de direita próximos de Washington. A avaliação é de análise, não de decisão de governo, e circulou em agências e jornais estrangeiros logo após o resultado.

Para quem vive no Rio Grande do Sul, o efeito imediato é de continuidade: o governo federal que conduz a política externa e a relação comercial com os EUA não muda. Não há anúncio de mudança na política externa brasileira nem compromisso novo de Lula com Washington em segurança ou migração.
O que dizem as análises
Segundo a Associated Press, a vitória contraria uma tendência na América Latina, onde candidatos de centro-direita aliados de Trump vêm vencendo em número crescente. A AP também registra que Brasil e México, os dois países mais populosos da região, passam a ter líderes de centro-esquerda. Uma análise distribuída pela agência afirma que os eleitores brasileiros interromperam uma série de sete vitórias presidenciais conservadoras em 18 meses.
O professor de relações internacionais Oliver Stuenkel, da Fundação Getulio Vargas, em São Paulo, disse à Newsweek que o resultado foi uma grande surpresa diante das expectativas para o segundo turno.
A relação com os EUA já vinha tensa. Em 2025, Trump impôs tarifa de 50% a produtos brasileiros, em parte por causa do processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, e Lula tratou a pressão como ataque à soberania nacional.
O resultado
Pelos números do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula teve 64.256.232 votos (51,79% dos válidos), e Flávio Bolsonaro (PL), 59.826.041 (48,21%). O mandato começa em janeiro de 2027, segundo o Vatican News.
Os textos analisados não trazem uma lista fechada de países que formariam o "bloco" de direita nem um critério para medir o alinhamento de cada governo à agenda dos EUA. O Itamaraty e a Presidência não divulgaram posição sobre a relação com a gestão Trump após a eleição. A posse de Lula, prevista para janeiro de 2027, é o próximo marco para definir a agenda externa do novo mandato.
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