Tesouro recompra R$ 7,1 bi e cancela leilões após Ibovespa despencar mais de 17%
O leilão de títulos ligados à Selic, marcado para terça (27), foi mantido; o dólar passou de R$ 5,60 no primeiro pregão após a reeleição de Lula.
Por que afeta o RS: A alta do dólar e dos juros pode encarecer preços, crédito e investimentos no Rio Grande do Sul.
Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 2 min de leitura

O Tesouro Nacional recomprou cerca de R$ 7,1 bilhões em títulos públicos, em três operações, nesta segunda (26). O movimento veio depois de o Ibovespa cair mais de 10% na abertura, o que fez a B3 interromper o pregão por 30 minutos. O índice chegou a recuar mais de 17% no dia, e o dólar ultrapassou R$ 5,60.

Para quem vive no Rio Grande do Sul, o efeito passa por câmbio e juros. Dólar mais alto pode encarecer produtos e insumos importados, e juros maiores tendem a encarecer financiamento e crédito para famílias e empresas.
Dois leilões cancelados, um mantido
O Tesouro cancelou os leilões de títulos prefixados e atrelados à inflação previstos para a terça (27) e a quinta (29). Saiu da agenda a oferta de NTN-B, ligada ao IPCA, de terça, e a de LTN e NTN-F, prefixados, de quinta.
O leilão de Letras Financeiras do Tesouro (LFT), papéis que acompanham a Selic, previsto para terça, foi mantido. Em comunicado, o Tesouro disse que seguirá monitorando o mercado e atuará para garantir o bom funcionamento da negociação de títulos públicos.
Como foi a recompra
O Tesouro lançou um edital extraordinário para recomprar até 5 milhões de unidades de NTN-F em cada um dos três vencimentos: 2031, 2033 e 2037. A operação foi restrita aos dealers, as instituições financeiras credenciadas, e a liquidação ficou para terça (27).
Em dias de juros em alta, os investidores podem exigir taxas maiores para financiar o governo, o que encarece a emissão de dívida. Cancelar as ofertas evita que o Tesouro contrate dívida prefixada ou indexada à inflação nessas condições.
O que derrubou a bolsa
Segundo agentes financeiros, o mercado vinha se posicionando para uma vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno. Os investidores viam uma mudança em Brasília como chance de melhora das contas públicas. A vitória de Lula, no domingo (25), contrariou essa aposta.
As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) subiram mais de 300 pontos-base em um primeiro momento, e o mercado passou a precificar alta da Selic em novembro. Foi a primeira vez desde 2020, no início da pandemia, que a B3 acionou o circuit breaker.
Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, afirmou que o problema não é só o resultado eleitoral, mas a incerteza sobre a condução das contas públicas. Segundo ele, o rumo dependerá das primeiras decisões econômicas do governo reeleito.
Fábio Murad, consultor da Wiser Asset, disse que parte dos investidores havia comprado ações e vendido dólares antecipando outro resultado, e o desmonte dessas posições intensifica a reação.
O que vem a seguir
O leilão de LFTs acontece na terça (27), e as condições da operação serão divulgadas no site do Tesouro Nacional. O Tesouro informou que poderá adotar novas medidas para garantir o funcionamento das negociações.
Perguntas frequentes
Por que o Tesouro cancelou leilões?
O Tesouro cancelou os leilões de NTN-B (terça, 27) e de LTN e NTN-F (quinta, 29) e manteve o leilão de LFTs de terça (27), ligado à Selic.
Quanto o Tesouro recomprou de títulos?
Cerca de R$ 7,1 bilhões, em três operações, nesta segunda (26).
Por que o Ibovespa caiu tanto?
A vitória de Lula no segundo turno, no domingo (25), contrariou a aposta do mercado em Flávio Bolsonaro, o que fez as taxas dos DIs subirem mais de 300 pontos-base.
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