Cientista da UFPel vê governabilidade difícil para Lula com Congresso de oposição
PL terá 121 dos 513 deputados e 28 dos 81 senadores em 2027, e o professor Álvaro Barreto avalia que o governo dependerá do Centrão.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 2 min de leitura

O cientista político Álvaro Barreto, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), na Zona Sul, avalia que a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não garante governabilidade. Para ele, o presidente enfrentará um Congresso majoritariamente oposicionista e terá de negociar com o Centrão para aprovar as pautas estratégicas do novo mandato.

Lula foi reeleito com 64.256.232 votos (51,79% dos votos válidos), contra 59.826.041 (48,21%) de Flávio Bolsonaro (PL). O resultado foi anunciado no domingo (25) pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques.
O que muda para o governo
Barreto afirma que a dúvida está na capacidade de Lula de levar adiante sua agenda. Segundo ele, o Congresso é integrado principalmente pelo partido do candidato derrotado, o que torna mais restrita a chance de formar uma coalizão majoritária. O professor lembra que o petista já negociou com o Centrão em outros momentos, mas descreve o cenário atual como "bem mais inóspito". Ele diz que o governo começa com uma bancada de apoio pequena.
A análise é do professor e não traz projeção de votos. Os números das urnas ajudam a medir o tamanho do desafio.
O que as urnas mostram
O PL terá a maior bancada tanto na Câmara, com 121 deputados, quanto no Senado. Na Câmara, o partido elegeu 24 deputados a mais do que na eleição anterior. A Casa tem 513 cadeiras.
No Senado, o PL chegará a 28 senadores a partir de 2027, sendo 19 eleitos em 4 de outubro. O PT terá nove senadores, e o MDB, oito. A federação União-Progressistas terá 11 e o PSD, cinco. São siglas que costumam ser associadas ao Centrão, e é nelas que Lula terá de buscar votos.
Em 2026, os eleitores escolheram 54 dos 81 integrantes do Senado, dois terços da Casa. Os outros 27 senadores, eleitos em 2022, seguem em mandato até 2031.
Próximo passo
Os novos senadores assumem os mandatos em 1º de fevereiro de 2027, quando a nova composição do Congresso passa a valer e começam as negociações de comissões e votações do novo mandato.
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