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Professor da Furg prevê continuidade com ajustes na política externa de Lula

Daniel Coronato vê no resultado das eleições legislativas dos EUA, em novembro, um fator que pode reduzir o poder de ação de Trump e abrir espaço para reaproximação.

Redação Bairrista · Repórter de Política · · 1 min de leitura

Lula em ato público com a bandeira do Brasil.
Foto: Divulgação/Agência Senado

O professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio Grande (Furg) Daniel Coronato avalia que a política externa do novo mandato de Lula deve ter continuidade com ajustes. Para ele, o maior risco é o isolamento do Brasil numa América do Sul fragmentada. Lula foi reeleito neste domingo (25) para o quarto mandato, de 2027 a 2030.

Na leitura de Coronato, o dado novo vem de fora de Brasília. A eleição legislativa americana, em novembro, pode reduzir a capacidade de ação do governo de Donald Trump e abrir espaço para uma reaproximação. Ele afirma que o diálogo recente do Brasil com os democratas tem sido melhor do que com os republicanos.

Pressão de Washington na segurança

Até lá, segundo o professor, o Brasil segue pressionado pela agenda de segurança dos EUA. Washington trata as facções como grupos terroristas e organiza a região em torno do Escudo das Américas, aliança criada por Trump.

O Escudo foi lançado em março, na Flórida, como uma coalizão militar de países latino-americanos para combater cartéis e o tráfico. Brasil e México não fazem parte. No caso brasileiro, o governo resiste em classificar facções como PCC e Comando Vermelho como terroristas, termo defendido pelos EUA.

O que deve seguir

Coronato espera a manutenção da parceria com China e BRICS, da defesa do multilateralismo, do investimento na indústria de defesa e da aposta em processar terras raras no país. Também cita o acordo entre Mercosul e União Europeia, que é aplicado provisoriamente desde 1º de maio de 2026, mas ainda não entrou definitivamente em vigor. O texto aguarda a Justiça europeia.

Segundo o professor, a continuidade se apoia em um Itamaraty de perfil técnico. O resultado das eleições americanas, em novembro, será o primeiro teste da leitura dele sobre a relação com Washington.

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