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Tribunal do Quênia condena líder de seita e 28 réus por 191 mortes, 190 de crianças

A sentença de Paul Mackenzie e dos outros condenados sai em 6 de novembro; a juíza rejeitou a tese de que as vítimas jejuaram por vontade própria.

Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 1 min de leitura

Ilustração do Bairrista sobre: Symbolic, non-literal editorial illustration (no reenactment of the event, no people): A weathered courthouse facade under warm late-afterno
Ilustração: Bairrista

O Tribunal Superior do Quênia condenou nesta segunda (19) o pastor autoproclamado Paul Nthenge Mackenzie e 28 corréus pelo assassinato de 191 pessoas, 190 delas crianças. As mortes ocorreram entre janeiro de 2021 e setembro de 2023, na floresta de Shakahola, no condado de Kilifi.

O caso é do outro lado do Atlântico e não tem ligação direta com o Rio Grande do Sul. A decisão responsabiliza criminalmente os adultos que organizaram ou sustentaram a morte de crianças em nome da fé.

A tese de jejum voluntário caiu

A juíza Diana Kavedza rejeitou a defesa de que as vítimas, 190 delas menores de 16 anos, jejuaram até a morte de forma voluntária. Segundo o tribunal, as mortes resultaram de um sistema organizado, com ensinamentos religiosos, hierarquia e mecanismos de controle usados para mandar os seguidores jejuar até morrer. A prática começava pelas crianças, e guardas impediam a fuga dos seguidores.

O tribunal registrou fome como causa de 72 mortes. Em outros casos, apontou sufocamento, compressão manual do pescoço e traumatismo craniano. Em 110 corpos, a decomposição impediu determinar a causa, e a corte inferiu a fome por provas indiretas. Laudos periciais e depoimentos de sobreviventes sustentaram a condenação.

Pena sai em 6 de novembro

Os relatórios de pré-sentença estão previstos para 30 de outubro. A Suprema Corte queniana considerou inconstitucional a pena de morte obrigatória para assassinato, mas manteve a punição como limite máximo.

Mais de 400 corpos foram encontrados desde que o caso veio à tona, em 2023. O veredito cobre 191 dessas mortes, e as investigações sobre a tragédia mais ampla continuam. Mackenzie nega as acusações de homicídio culposo e terrorismo em processos separados.

A juíza marcou a leitura da sentença para sexta-feira, 6 de novembro, em audiência pública, com os condenados presentes no tribunal.

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