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Felca volta ao YouTube com vídeo sobre fobia social e anuncia palestras em escolas

Mais de um ano depois de "Adultização", que reforçou a pressão pelo ECA Digital, youtuber relata oito anos de bullying e propõe desafio de três meses.

Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 3 min de leitura

Ilustração do Bairrista sobre: Symbolic, non-literal editorial illustration (no reenactment of the event, no people): An empty school classroom with rows of chairs slightl
Ilustração: Bairrista

O youtuber Felca voltou ao YouTube na madrugada desta terça (20) com um vídeo de pouco mais de uma hora, intitulado "Fobia Social". Ele disse ter sido diagnosticado com transtorno de ansiedade social, relembrou agressões sofridas na escola e contou que passou a usar álcool para enfrentar situações sociais.

Quadro: Felca volta ao YouTube com vídeo sobre fobia social e anuncia palestras em escolas
Entenda em um quadro · Bairrista

O retorno chama a atenção porque Felca é o autor de "Adultização", vídeo que levou ao centro do debate nacional a exposição de crianças nas redes. A lei que nasceu desse debate já vale para quem mora no RS: o ECA Digital exige verificação de idade confiável, contas vinculadas a responsáveis e remoção rápida de conteúdo de risco. A norma vale para redes sociais como Instagram, TikTok e WhatsApp, além de plataformas de jogos, streaming e lojas de aplicativos.

O que Felca contou no vídeo de retorno

Felca disse que começou a sofrer bullying aos 12 anos, quando estudava em Londrina, no Paraná. Ele relatou xingamentos, humilhações e agressões físicas. Em um dos episódios, cinco colegas o espancaram no banheiro da escola. Sobre as agressões, disse: "Não me bateram só até eu cansar, mas até eles cansarem".

Já adulto, passou a beber para dar conta de compromissos públicos e gravações. Em uma ocasião, bebeu antes de entrevistar desconhecidos em um shopping, desmaiou ao chegar em casa e quebrou duas costelas. Sobre o próprio vídeo, afirmou: "Esse é o vídeo mais sincero e mais difícil que eu já fiz".

No fim, anunciou um desafio de três meses para enfrentar a timidez e a fobia social, com a decisão de sair mais de casa e aceitar novos convites. Também disse que pretende dar palestras em escolas sobre bullying, relatando as próprias experiências e os efeitos das agressões em crianças e adolescentes.

A publicação era aguardada com expectativa de outro tipo de conteúdo. Parte do público esperava um vídeo de denúncias, mas o relato teve foco na história pessoal. O vídeo teve mais de 50 mil comentários em menos de 30 minutos no ar. Felca estava afastado das redes havia sete meses.

O que foi "Adultização" e o que mudou desde então

Em 6 de agosto de 2025, Felca publicou um vídeo de 50 minutos chamado "Adultização", que superou 40,5 milhões de visualizações em oito dias. Nele, denunciou desde situações mais leves, como "coaches" e investidores mirins, até o papel dos algoritmos na circulação de conteúdo de exploração sexual infantil. Um dos exemplos foi a relação do influenciador Hytalo Santos com os menores que apareciam em seus vídeos.

O ECA Digital (Lei 15.211) tem origem anterior ao vídeo: partiu do PL 2.628/2022, de autoria do senador Alessandro Vieira (MDB-SE). A lei foi sancionada pelo presidente Lula em 17 de setembro de 2025. Está em vigor desde 17 de março de 2026. No dia seguinte, o governo federal assinou três decretos que regulamentam a lei, criam o Centro Nacional de Proteção à Criança e ao Adolescente, ligado à Polícia Federal, e estruturam a ANPD para fiscalizar. O texto também trata dos influenciadores mirins, crianças e adolescentes que aparecem de forma habitual em conteúdos patrocinados ou impulsionados.

O que vem pela frente

A lei prevê multa de até 10% do faturamento do grupo econômico no Brasil, limitada a R$ 50 milhões por infração. A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) marca janeiro de 2027 para começar a fiscalização, com foco na verificação de idade em aplicativos e sistemas.

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