Sicredi Ouro Branco libera mais de R$ 70 milhões a produtores do Vale do Taquari
Cooperativa de Teutônia identificou mais de R$ 90 milhões em operações que podem entrar na medida federal de renegociação, enquanto a Farsul calcula em R$ 45 bilhões o saldo problemático do crédito rural gaúcho.
Redação Bairrista · 18 de outubro de 2026 às 03:12 · 2 min de leitura

A Sicredi Ouro Branco RS/MG liberou mais de R$ 70 milhões em operações de crédito de produtores do Vale do Taquari que se enquadram na medida federal de renegociação de dívidas rurais. Segundo a cooperativa, com sede em Teutônia, o potencial de enquadramento na região chega a mais de R$ 90 milhões.

Para o produtor, a renegociação abre espaço para reorganizar as dívidas e voltar a buscar crédito para manter a lavoura, o leite e a criação.
A região ainda convive com as marcas das enxurradas. Conforme levantamento da Emater e do Codevat (Conselho de Desenvolvimento do Vale do Taquari), cerca de 45% das áreas produtivas do Vale foram comprometidas desde setembro de 2023. A recuperação passa por recompor lavouras, estruturas e acessos, além de reorganizar as finanças das propriedades.
O que é a medida federal
A medida é a Medida Provisória 1.376/2026, publicada em 15 de julho. Ela autorizou linhas de crédito especiais para composição, liquidação ou amortização de dívidas de produtores afetados por quebras de safra e eventos climáticos, como as enchentes.
Segundo a Assessoria Econômica da Farsul, que usou o painel de acompanhamento do Banco Central, as operações contratadas no RS somam R$ 4,47 bilhões. O valor equivale a 9,9% do saldo problemático do crédito rural gaúcho, estimado pela entidade em R$ 45 bilhões. No país, foram R$ 5,27 bilhões contratados, e o RS responde por 85% desse total.
R$ 45 bilhões não são só das enchentes
A cifra da Farsul reúne operações em situação financeira problemática em todo o estado. Ela não se limita a dívidas causadas pelas enchentes. A federação informa que esse saldo equivale a 41,3% de toda a carteira de crédito rural gaúcho.
A entidade também calculou que o saldo problemático subiu R$ 5,1 bilhões entre abril e julho de 2026, mais do que a medida contratou no estado. Em julho, uma análise de contratos de uma amostra de produtores indicou que só 11,7% do saldo devedor caberia nas regras da MP.
Do total contratado no RS, 71,1% foram operações de custeio e 26,3% a rolagem de dívidas já renegociadas pela MP 1.314/2025. Investimento ficou com 1%, segundo a Farsul.
Prazo corre até novembro
Na nota técnica divulgada no fim de setembro, a Farsul informou que a MP perde a validade em 11 de novembro e que a contratação termina em 12 de novembro. O parecer do relator, deputado Paulo Pimenta, ainda precisava passar pela Comissão Mista, pela Câmara e pelo Senado, ir à sanção presidencial e aguardar nova resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN).
O presidente do Sistema Farsul, Domingos Velho Lopes, defendeu votação rápida. Ele afirmou que a situação é de emergência e que o plantio da safra de verão já começou.
Produtores do Vale do Taquari que querem saber se as dívidas se enquadram na MP devem procurar a instituição financeira onde têm o crédito, antes do fim da contratação, em 12 de novembro.
Perguntas frequentes
Até quando o produtor pode contratar a renegociação pela MP?
A contratação termina em 12 de novembro, e a MP perde a validade em 11 de novembro.
Onde o produtor deve procurar para renegociar?
Na instituição financeira onde tem o crédito, antes do fim do prazo de contratação.
Qual o saldo problemático do crédito rural no RS segundo a Farsul?
A Farsul estima R$ 45 bilhões, equivalente a 41,3% da carteira de crédito rural gaúcha.
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