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PolíticaAfeta o RSUrgente

RS tem 89 denúncias de assédio eleitoral; MPT contabiliza 2.364 no país

Após a reeleição de Lula, parlamentares do PL defenderam demissões por voto nas redes; o MPT já investiga e orienta que qualquer pessoa denuncie pela internet.

Redação Bairrista · Repórter de Política · · 2 min de leitura

Ilustração do Bairrista sobre: Symbolic, non-literal editorial illustration (no reenactment of the event, no people): A stylized electronic voting terminal surrounded by s
Ilustração: Bairrista

O Ministério Público do Trabalho (MPT) recebeu 2.364 denúncias de assédio eleitoral em todo o Brasil até terça-feira (27). No balanço de domingo (25), eram 1.937 registros nacionais, o que dá mais 427 denúncias em dois dias. O salto veio depois que mensagens nas redes passaram a incentivar a demissão de quem votou em Lula.

No Rio Grande do Sul, o MPT-RS tinha 89 denúncias em 2026 até 25 de outubro, segundo dados do MPT-RS. Eram 37 até o primeiro turno e 52 entre 4 e 25 de outubro, nas três semanas do segundo turno.

Falas nominais são de parlamentares, não de patrões

Entre as declarações públicas, duas partiram de deputadas estaduais eleitas pelo PL. No Rio de Janeiro, Índia Armelau sugeriu a empresários que demitissem empregados que demonstrassem apoio a Lula. No Paraná, Jéssica Ramos Moreno publicou mensagem sugerindo a demissão de funcionários que votassem no PT. O MPT-RJ ajuizou ação civil pública contra Índia Armelau em 27 de outubro, segundo a Agência Brasil. O MPT-PR abriu investigação sobre a publicação de Jéssica.

Essas falas são sugestões. Não há confirmação de que as demissões defendidas por elas tenham ocorrido. As listas de empresas e de nomes que circularam nas redes não foram comprovadas.

Segundo a Procuradoria-Geral do Trabalho (PGT), a maioria das denúncias envolve publicações que incentivam demissão ou dizem ter demitido alguém por causa do voto. O movimento circula com o nome "Demita um petista". O total reúne relatos de diferentes situações, não demissões comprovadas.

Fim da votação não encerra o assédio

A procuradora do Trabalho Geny Helena Marques diz que o fim da votação não encerra o assédio eleitoral: práticas discriminatórias por escolha política continuam sujeitas a denúncia. O MPT-DF, por exemplo, investiga 15 denúncias de assédio eleitoral e discriminação contra trabalhadores por escolhas políticas. O MPT também prepara um plano de ação nacional contra retaliações e outras práticas discriminatórias após o segundo turno.

O MPT pode pedir a interrupção da prática, a reintegração de demitidos e indenização por dano moral individual ou coletivo, além de multas. A responsabilização criminal depende da conduta de cada caso. Durante a campanha, o órgão ajuizou 59 ações civis públicas e obteve 52 liminares.

Como denunciar

Qualquer pessoa pode denunciar, não só a vítima. Mensagens, áudios, vídeos, e-mails, publicações em redes sociais e depoimentos de testemunhas ajudam a documentar o caso. O MPT não definiu documentos obrigatórios para registrar a denúncia.

Serviço: a denúncia é feita pelo site do MPT, em mpt.mp.br, e vale para trabalhadores de qualquer cidade gaúcha.

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