PT oficializa apoio a Motta na Câmara; bloco chega a 15 partidos e deixa o PL isolado
Federação com PT, PCdoB e PV decidiu por unanimidade, dois dias depois da reeleição de Lula, e o grupo de Motta passa dos 350 deputados eleitos.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 2 min de leitura

A federação formada por PT, PCdoB e PV anunciou nesta terça (27), em Brasília, apoio à reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) à presidência da Câmara. Com a adesão, a base de sustentação à candidatura de Motta chega a 15 partidos. O PL ficou fora do arranjo.
Para o leitor gaúcho, o efeito é indireto: quem preside a Câmara organiza os trabalhos e define o ritmo das votações que chegam a estados e municípios, inclusive o RS. O PT trata o apoio como forma de garantir a governabilidade do governo Lula (PT).
Quem está com Motta
Além da federação liderada pelo PT, já declararam apoio Republicanos, PSB, PDT, PSD, MDB, Podemos e as federações União Brasil/PP, PSDB/Cidadania e Solidariedade/PRD. A contagem de 15 considera as siglas das federações separadamente.
Somados, os partidos do bloco reúnem cerca de 354 dos 513 deputados eleitos para a próxima legislatura. Para ser eleito, Motta precisa de 257 votos. A votação é secreta, e o apoio das direções não obriga cada deputado a seguir a orientação.
Por que o PL ficou isolado
O PL avalia candidatura própria e ainda não anunciou posição oficial sobre a disputa na Câmara.
O isolamento passa pela divisão de espaços. Os aliados articulam para reduzir a influência do PL na definição da Mesa Diretora e na distribuição das presidências das comissões.
O que muda na relação com o governo Lula
O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (PT-SC), anunciou a decisão após reunião com Motta. "Decidimos, por unanimidade da Federação, apoiar a reeleição do presidente Hugo Motta para mais um mandato", afirmou. Uczai chamou a composição de estratégica para dar governabilidade ao governo Lula e avançar a pauta das três bancadas.
Entre as prioridades citadas por Uczai estão os direitos das mulheres, a soberania nacional, a democracia e os direitos sociais e culturais. A deputada Maria do Rosário (PT-RS) também se manifestou. Ela disse que Motta manteve a palavra e apoiou Lula.
O apoio vale para a disputa pela Mesa. Não há acordo público sobre votações específicas, e o PT busca preservar espaço na Mesa e nas comissões.
Próximos passos
A decisão não foi consenso sobre o momento. Um grupo queria anunciar o apoio já nesta semana. Outra ala preferia esperar até dezembro ou janeiro para negociar os termos. Prevaleceu o argumento de que a definição viabilizaria um bloco parlamentar capaz de isolar o PL.
A eleição da Mesa Diretora está prevista para fevereiro de 2027, no início da nova legislatura. Até lá, os partidos negociam a formação dos blocos, que define a ordem de escolha das comissões.
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