Governo Trump segura comunicado sobre vitória de Lula após Flávio pedir anulação
Rascunho estava pronto no Departamento de Estado, mas houve ordem para "avaliar" a situação; embaixada dos EUA não dá previsão de publicação.
Por que afeta o RS: Acordo Mercosul-União Europeia e relações comerciais com os EUA podem afetar exportações e setores produtivos do RS, como o agro.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 3 min de leitura
Atualizada 26/10, 12:08 · O Departamento de Estado dos EUA tinha pronto um comunicado parabenizando o Brasil, mas o governo Trump mandou segurar a publicação depois que Flávio Bolsonaro disse não reconhecer a vitória de Lula, e a embaixada não dá previsão.

O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mandou segurar o comunicado que parabenizaria a população brasileira pela eleição de domingo (25). O texto estava pronto no Departamento de Estado, como é de praxe em eleições pelo mundo, mas houve orientação para adiar e "avaliar" a situação. Trump também não reconheceu publicamente a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) até a manhã desta segunda (26).
O adiamento veio depois que Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado, disse em entrevista na noite de domingo que não reconhecia o resultado e que pediria a anulação do pleito. Ele alega irregularidades por causa da decisão do ministro do Supremo Cristiano Zanin de prorrogar o horário da votação. A embaixada dos EUA no Brasil não deu previsão de quando o comunicado sai.
Em 2002, 2014, 2018 e 2022, Washington havia reagido com rapidez ao resultado das eleições brasileiras, segundo a BBC News Brasil. Em 2022, no governo de Joe Biden, os EUA foram um dos primeiros países a cumprimentar Lula, mesmo com as acusações de fraude feitas por Jair Bolsonaro (PL).
O silêncio chega a um estado que vive de mercado externo. O acordo Mercosul-União Europeia e a relação comercial com os EUA mexem com os exportadores do agro gaúcho. Analistas ouvidos pela BBC avaliam que a vitória de Lula favorece o acordo com os europeus.
O resultado oficial
O TSE informou que Lula teve 64.256.232 votos (51,79% dos válidos), contra 59.826.041 (48,21%) de Flávio Bolsonaro. A abstenção ficou em torno de 19,2%, abaixo dos 21,08% do primeiro turno. O TSE considerou Lula reeleito às 21h08 de domingo, com 97,69% da apuração concluída. A posse será em 5 de janeiro de 2027.
Em seu discurso, Lula disse ter vencido a "intromissão" vinda de fora por meio das plataformas digitais, sem citar governos.
O que dizem os analistas
Ouvido pela BBC, Christopher Sabatini, pesquisador sênior para América Latina da Chatham House, em Londres, afirmou que Trump deveria ter sido o primeiro a reconhecer. Ele lembrou que Trump recebeu Flávio Bolsonaro na Casa Branca e designou PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas. Para Sabatini, esses gestos funcionaram como apoio político à candidatura de Flávio.
Anthony Pereira, diretor executivo do Centro para Estudos Latino-Americanos da Universidade Tulane, disse à BBC que Washington esperava a adesão do Brasil ao Escudo das Américas, coalizão de segurança lançada por Trump em março. Segundo ele, o governo americano deve sentir decepção. Pereira também prevê pragmatismo: apesar das tensões, prevalecem interesses econômicos que favorecem a cooperação. Ele cita a JBS, com negócios nos dois países, como empresa sem interesse em um conflito entre Brasil e EUA.
Direita da América Latina reconhece
Sabatini disse que um reconhecimento de Trump poderia reduzir o espaço político para questionamentos do candidato derrotado. Presidentes de direita da região já parabenizaram Lula em contas oficiais nas redes sociais, entre eles os aliados de Trump Abelardo de la Espriella, da Colômbia, e José Antonio Kast, do Chile, próximos da família Bolsonaro.
O governo americano também não emitiu comunicado sobre a eleição na Sérvia, na noite de domingo, em que o primeiro-ministro Aleksandar Vucic, aliado de Trump, saiu derrotado.
O próximo passo está no calendário: Lula toma posse em 5 de janeiro de 2027, em Brasília.
Atualização: às 12h desta segunda (26), entrou a informação de que o governo Trump segurou o comunicado de reconhecimento pronto no Departamento de Estado, após Flávio Bolsonaro questionar o resultado, e de que a embaixada dos EUA não dá previsão de publicação. Entraram ainda a base da alegação de Flávio (a prorrogação da votação por Zanin), os nomes dos líderes de direita que já parabenizaram Lula e a ausência de comunicado americano sobre a eleição na Sérvia.
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