Relatores da ONU pedem que Meta proteja expressão política a quatro dias do 2º turno
Meta nega favorecer qualquer campanha e diz cumprir decisão do TSE, enquanto os relatores citam milhares de contas com visibilidade reduzida.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 3 min de leitura

Especialistas independentes de direitos humanos nomeados pela ONU pediram nesta quarta-feira (21) que a Meta, dona do Instagram e do WhatsApp, garanta a liberdade de expressão política nas eleições presidenciais do Brasil. O alerta vem a quatro dias do segundo turno, marcado para domingo (25).
O comunicado cita Instagram, Facebook e WhatsApp. Os três aplicativos estão entre os canais por onde eleitores de todo o país, inclusive do Rio Grande do Sul, recebem material das candidaturas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Os relatores querem que a empresa avalie se seus sistemas de moderação, recomendação e inteligência artificial restringiram de forma desproporcional um dos lados.
O texto afirma que algoritmos, sistemas de IA e decisões de moderação não devem se tornar "árbitros invisíveis" da discussão política. Assinam o documento os relatores especiais Leopoldo Maldonado Gutiérrez (liberdade de expressão), Margaret Satterthwaite, Gina Romero e Andrea Bolaños Vargas, além do Grupo de Trabalho sobre Empresas e Direitos Humanos. Os relatores são indicados pelo Conselho de Direitos Humanos, atuam como voluntários independentes e não falam em nome da ONU.
O comunicado diz que os monitoramentos mostram milhares de contas e publicações com suspensões, perda de visibilidade e limites de compartilhamento. Entre os atingidos estão jornalistas, defensores de direitos humanos e criadores de conteúdo. Também menciona que observadores internacionais relataram interrupções temporárias da conta de campanha de um candidato e diferenças de engajamento, alcance e visualizações. O texto não identifica quem produziu os relatórios nem detalha os dados atribuídos a funcionários da Meta, e não aponta qual candidatura teria sido afetada.
Meta nega favorecimento e cita falhas técnicas
A Meta nega favorecer qualquer lado. Segundo a empresa, ela cumpriu a ordem judicial por tratamento igualitário. Em resposta ao TSE, a companhia negou interferência no processo eleitoral e atribuiu os problemas relatados a falhas técnicas.
A ordem vem do Tribunal Superior Eleitoral. O ministro substituto Marco Aurélio Bellizze decidiu que a Meta deve dar tratamento igual às duas candidaturas, e o plenário confirmou a decisão na sexta-feira (16). Na terça (20), Bellizze reuniu a Meta e as campanhas de Lula e Flávio. O ministro disse que "transparência e igualdade entre os candidatos" é o que se busca resguardar.
Campanha de Lula aponta restrição de alcance
A campanha petista sustenta que a Meta tenta interferir a favor de Flávio. Entre os relatos, o perfil de Lula ficou impedido de impulsionar conteúdos no feed do Instagram entre 9 e a manhã de 10 de outubro. A campanha também afirma que uma ferramenta de IA da empresa se recusou a gerar conteúdo eleitoral favorável ao petista, mas não fez o mesmo em relação ao adversário. São alegações da campanha, e o comunicado da ONU não as confirma de forma independente.
Até a publicação desta matéria, nem o TSE nem a campanha de Flávio Bolsonaro tinham se manifestado sobre o comunicado dos relatores.
O segundo turno da eleição presidencial ocorre no domingo (25), em todo o país, inclusive nos 497 municípios gaúchos.
Perguntas frequentes
Quando é o 2º turno das eleições presidenciais de 2026?
Domingo, 25 de outubro, em todo o país, inclusive nos 497 municípios gaúchos.
Quem são os relatores da ONU que pediram a ação à Meta?
Leopoldo Maldonado Gutiérrez, Margaret Satterthwaite, Gina Romero e Andrea Bolaños Vargas, além do Grupo de Trabalho sobre Empresas e Direitos Humanos; atuam como voluntários independentes e não falam em nome da ONU.
O que o TSE determinou à Meta?
Tratamento igual às duas candidaturas, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), decisão confirmada pelo plenário na sexta-feira (16).
Saber mais
- Especialistas da ONU alertam para desequilíbrio digital nas eleições brasileiras (ONU News)
- Especialistas da ONU veem restrições da Meta em eleições no Brasil (Poder360)
- Comitê da ONU pede que Meta proteja liberdade de expressão nas eleições brasileiras (Exame)
- TSE ouve Meta e campanhas sobre igualdade em tratamento de Flávio e Lula (CNN Brasil)
- TSE reúne Meta e campanhas de Lula e Flávio para apurar favorecimento (Metrópoles)
- TSE confirma decisão que obriga Meta a dar tratamento igual a Lula e Flávio (NetLab UFRJ)
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