Preços recebidos por produtores gaúchos sobem 7,54% em setembro e 16,29% no ano
Soja e arroz puxam a quarta alta mensal seguida, a maior desde fevereiro de 2022, enquanto fertilizantes e diesel encarecem a produção.
Redação Bairrista · Repórter de Agro · · 2 min de leitura

Os preços recebidos por agricultores e pecuaristas do Rio Grande do Sul subiram 7,54% em setembro, na comparação com agosto. Os dados são do Índice de Preços Recebidos pelos Produtores Rurais (IIPR), divulgado nesta segunda (26) pela Assessoria Econômica do Sistema Farsul.

É a quarta alta mensal consecutiva e a maior variação do indicador desde fevereiro de 2022. No ano, o IIPR acumula 16,29%. Em 12 meses, saltou de 4,05% em agosto para 13,73% em setembro.
Soja e arroz puxam a alta
Segundo a Farsul, o "grande motor" do mês foi a soja, que avançou 8,7%, quase quatro vezes o padrão sazonal para o período. A cotação chegou ao maior patamar desde abril de 2023.
O arroz subiu 8,4% no mês e acumula 52,4% de alta no ano. Para a entidade, a sustentação do preço vem da projeção de redução de 36% nos estoques brasileiros para a próxima safra. O boi gordo foi na direção contrária e recuou 3,3%, movimento que a Farsul atribui a fatores sazonais do mercado pecuário.
Alta recompõe perdas, diz a Farsul
A alta de 13,73% em 12 meses supera o IPCA geral (4,58%) e o IPCA de Alimentos e Bebidas (4,66%). A Assessoria Econômica da Farsul, porém, pede uma leitura de prazo mais longo. Em dois anos, o preço recebido pelo produtor variou apenas 0,7%, enquanto os alimentos ao consumidor subiram 11,6%.
"A alta recente reflete a recomposição de perdas acumuladas pelo setor produtivo, e não a origem de um novo ciclo inflacionário vindo do campo", afirma a entidade.
Custos de produção aceleram
O Índice de Inflação dos Custos de Produção (IICP) subiu 1,44% em setembro, o maior avanço mensal desde abril. Em 12 meses, passou de 1,65% em agosto para 3,35%, e no ano soma 5,13%.
Os fertilizantes subiram 3,9% no mês e responderam por mais da metade da variação positiva do índice. No acumulado do ano, a Farsul diz que o insumo responde por todo o avanço do índice no período. A queda nos preços dos defensivos agrícolas atenuou parcialmente o efeito.
O petróleo subiu 17% nas cotações internacionais, o que pressionou o mercado interno de combustíveis. O diesel ficou 5,2% mais caro no Rio Grande do Sul em setembro, por causa da defasagem frente à paridade de importação e de restrições pontuais na oferta. O reflexo foi imediato nos serviços de frete, com alta de 4,1%, e nos custos das operações mecânicas nas propriedades, com 2,1%.
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