Pnud alerta que El Niño, energia cara e juros altos podem levar 130 milhões à pobreza
Alexander de Croo cobra de investidores privados que reconheçam o custo econômico da crise climática; no Sul do Brasil, a previsão é de chuva acima da média.
Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 2 min de leitura

O administrador do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), Alexander de Croo, alertou nesta terça (13) que o El Niño, a energia mais cara e os juros altos podem empurrar milhões de pessoas para a pobreza. Ele deu a declaração à AFP, à margem das reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial, em Bangkok.
O alerta é global, mas o El Niño também mexe com as safras do Sul do país, e o arroz gaúcho está entre as culturas que podem ser prejudicadas.
130 milhões em risco, sobretudo na Ásia e na África
Segundo análise do Pnud, cerca de 130 milhões de pessoas podem cair na pobreza em 2026 se os aumentos de energia e alimentos forem repassados integralmente aos consumidores, com risco maior na África Subsaariana e no Sul e Leste da Ásia. A conta supõe o repasse total dos preços ao consumidor, sem subsídios.
Até agora, os países em desenvolvimento seguraram parte do impacto com subsídios a combustíveis, tetos de preço e isenções de impostos. O Pnud avalia que essas medidas ficam mais difíceis de sustentar. Os juros pesam na mesma conta: o país em desenvolvimento mediano gasta cerca de 9,5% da receita do governo com pagamento de juros, o maior percentual em 25 anos.
De Croo comparou a sequência de choques a consertar o telhado com a casa pegando fogo. A alta do petróleo e do gás após o conflito no Oriente Médio levou a maioria dos países a criar subsídios amplos, o que reduz ainda mais a folga dos orçamentos.
El Niño e o recado aos investidores
De Croo afirmou que o El Niño ameaça colheitas na Ásia, na África e na América Latina. O Pnud aponta probabilidade de períodos secos prolongados entre novembro de 2026 e fevereiro de 2027, com possíveis efeitos sobre alimentos e inflação.
Aos investidores privados, De Croo disse que o impacto do clima tem custo econômico e que evitar esse custo tem um argumento comercial. Ele resumiu a ideia em uma frase à AFP, citada pela imprensa internacional.
O que o El Niño muda para a safra gaúcha
Análises sobre o fenômeno no Brasil apontam efeitos diferentes por região: no Sul, mais chuva pode favorecer a soja, enquanto o arroz gaúcho aparece entre as culturas potencialmente prejudicadas.
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