Sem receber a uva, viticultores da Serra não bancam a próxima safra, diz sindicato
Presidente do Sintrafar relata que uma vinícola de Flores da Cunha disse não estar vendendo e que não conseguirá pagar o prometido.
Redação Bairrista · Repórter de Agro · · 2 min de leitura

Viticultores de Farroupilha, Caxias do Sul e Flores da Cunha estão sem dinheiro para manter os parreirais e preparar a próxima colheita, porque ainda esperam pelo pagamento da uva entregue na última safra. O relato é do presidente do Sindicato dos Trabalhadores Agricultores Familiares de Farroupilha (Sintrafar), Márcio Ferrari, em entrevista ao programa Bom Dia Trabalhador, da Rádio Viva 94,5 FM, nesta terça-feira (20).
Os produtores precisam de adubo, tratamentos e mão de obra agora, e o dinheiro da colheita anterior não chegou. Segundo Ferrari, o frio fora de época aumenta o risco de doenças nas videiras e obriga a gastar mais com tratamentos. Ele afirma que as vinícolas alegam dificuldade de comercialização e mercado desfavorável para justificar os atrasos.
Vinícola de Flores da Cunha seria o caso mais grave
Ferrari disse que os sindicatos da região procuraram uma grande vinícola de Flores da Cunha, que ele aponta como o caso mais grave. Conforme o dirigente, a empresa afirmou que não está vendendo e que não conseguirá pagar o que havia prometido. O sindicalista afirmou: "Nosso medo é que nem venham a pagar a uva da última safra".
O sindicato não informou o nome da vinícola.
Famílias já cortam gastos com alimentação
Ferrari disse que algumas famílias, que dependem quase só da uva, têm dificuldade até para pagar a alimentação. Ele também disse que buscar crédito no banco para produzir está muito caro.
A situação não é nova. No início de outubro, Ferrari já havia dito que algumas vinícolas ainda não pagaram e outras quitam em parcelas longas, mas que o problema não atinge todas as empresas. Ele afirmou que o sindicato não tem poder para obrigar as empresas a quitar os débitos.
Prazo tradicional era até dezembro
O atraso também aparece em outras partes da Serra. O presidente do sindicato de Bento Gonçalves, Monte Belo do Sul, Pinto Bandeira e Santa Tereza, Cedenir Postal, afirmou que a situação não se restringe a um município ou empresa. Segundo Postal, o acordo tradicional previa três ou quatro parcelas até dezembro, com parte do dinheiro liberada antes de junho, quando vencem financiamentos da lavoura.
O cenário contrasta com o tamanho da colheita. Em março, Ferrari projetava para Farroupilha uma safra até 30% maior que a do ano anterior. Flores da Cunha, maior produtor de uva industrial do estado, tem cerca de 1,5 mil famílias ligadas diretamente à atividade.
Ferrari disse que pode faltar trabalhador nas próximas safras, caso as dificuldades financeiras afastem gente do setor. Segundo ele, sindicatos de trabalhadores rurais da região estão se mobilizando para buscar alternativas de apoio aos produtores, mas ele não detalhou quais.
Saber mais
- Entrevista de Márcio Ferrari (Sintrafar) ao Bom Dia Trabalhador, Rádio Viva 94,5 FM, 20/10/2026
- Sintrafar alerta para situação crítica de viticultores (Spaço FM)
- Pagamento da uva atrasa e compromete produtores (Jornal Semanário)
- Safra da uva em Farroupilha deve ser até 30% maior que ano passado (Spaço FM)
- RS deve colher mais de 900 mil toneladas de uva na safra 2025/26 (Broto Notícias)
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