Le Pen e Bardella vendem "ordem" após protestos com 2,4 mil presos na França
A seis meses da eleição presidencial, a líder da extrema direita lidera as pesquisas, mas os levantamentos disponíveis são anteriores aos confrontos do fim de semana.
Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 3 min de leitura

A extrema direita francesa levou a onda de violência do fim de semana para o discurso eleitoral. Marine Le Pen e Jordan Bardella, presidente do Reagrupamento Nacional (RN), passaram a se apresentar como a força da "ordem". O discurso veio depois de protestos contra o custo de vida que terminaram em saques, incêndios e confrontos com a polícia. A eleição para suceder o presidente Emmanuel Macron será daqui a seis meses.

O episódio não tem efeito direto sobre o Rio Grande do Sul. Para quem acompanha a política de fora, mostra como uma crise de segurança e de preços entra na disputa de um país às vésperas de votar.
O que aconteceu nas ruas
No sábado (17), cerca de 550 mil pessoas protestaram, segundo o Ministério do Interior; os organizadores falam em 800 mil. A queixa principal era o custo de vida, pressionado em parte pela guerra no Oriente Médio.
À margem dos atos, houve violência em várias cidades. Prédios foram incendiados, entre eles a prefeitura de Limoges, cujo telhado desabou em parte. Centenas de lojas foram saqueadas em Paris, Marselha, Bordeaux, Nice e Estrasburgo. A Federação do Comércio calcula que cerca de 1.500 estabelecimentos foram danificados, com prejuízo estimado em centenas de milhões de euros.
O balanço oficial mudou ao longo do domingo. O primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, falou em cerca de 1.200 presos e mais de 150 policiais feridos. Depois, o Ministério do Interior informou 2.397 prisões e 997 policiais e gendarmes feridos, sete deles em estado grave. Organizações de direitos humanos e manifestantes acusam a polícia de usar força desproporcional.
Macron afirmou que nada justifica a violência "desenfreada" e distinguiu quem tem reivindicações legítimas de quem destruiu e saqueou.
Discurso de ordem e acusações a Mélenchon
No domingo (18), Le Pen divulgou um vídeo em que acusa o governo Macron de "impotência". Também diz que o partido de esquerda radical A França Insubmissa, de Jean-Luc Mélenchon, quer provocar uma "guerra civil". Ela falou diante de uma bandeira francesa e de sua antiga toga de advogada.
Nesta segunda (19), Bardella prometeu "restabelecer a segurança e a ordem por todos os meios legais possíveis" se o partido chegar ao poder. Disse também: "Quem encostar em um policial dorme na prisão". Em seguida, afirmou que "a melhor maneira de protestar é votar". Bardella é apontado como futuro primeiro-ministro caso Le Pen vença.
O RN nega querer lucrar com os confrontos. Um dirigente do partido disse que ver o país nesse estado "dói". Já o candidato social-democrata Raphaël Glucksmann teme que a extrema direita colha ganhos eleitorais com o "caos".
Pesquisa é anterior à violência
Levantamento do instituto Elabe, feito antes dos confrontos, dá a Le Pen entre 31% e 33,5% no primeiro turno. Aparecem depois o ex-primeiro-ministro Édouard Philippe, Mélenchon e Glucksmann, todos entre 15% e 16,5%. No segundo turno, Le Pen venceria qualquer um dos três. O RN ataca o governo Macron, do qual Philippe fez parte, e mira sobretudo Mélenchon para firmar uma disputa direta.
O cientista político Bruno Cautrès avalia que, no curto prazo, o clima favorece quem fala de lei e ordem, mas diz que isso não se traduz "mecanicamente" nas urnas. Frédéric Dabi, diretor do Ifop, afirma que, "por pura lógica", a violência poderia fortalecer Le Pen no primeiro turno. Ele recomenda esperar as primeiras pesquisas posteriores aos confrontos.
Inflação alimenta a revolta
O Insee, instituto de estatística francês, mostra o pano de fundo. A inflação anual chegou a 3,1% em setembro, ante 2,4% em agosto. Os preços de energia subiram 21,3% em 12 meses. Os de alimentação avançaram 1,4%.
O próximo dado concreto são as pesquisas de intenção de voto feitas depois dos confrontos. Elas devem mostrar se o discurso de ordem altera os 31% a 33,5% de Le Pen medidos pelo Elabe antes da violência.
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