Aprovação de Kast cai a 30% no Chile e a de Fujimori, a 40% no Peru; Bukele é a exceção
Cadem e Ipsos registram as piores marcas dos dois governos conservadores, e um analista ouvido pela AFP atribui a queda à impaciência por resultados, não à ideologia.
Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 2 min de leitura

A aprovação do presidente chileno José Antonio Kast caiu para 30%, o menor nível desde que ele assumiu, em 11 de março. É o que mostra a última pesquisa Cadem, divulgada no domingo (18). A desaprovação chegou a 65%.
No Peru, a presidente Keiko Fujimori perdeu 17 pontos em dois meses. Pesquisa Ipsos para o jornal Perú21, divulgada na sexta-feira (16), mostra 40% de aprovação, contra 57% em agosto. As pesquisas não medem efeito direto no Rio Grande do Sul, mas servem de termômetro para o Cone Sul, onde o estado tem Argentina e Uruguai como vizinhos de fronteira.
Kast tem a pior marca em sete meses de governo
A aprovação de Kast recuou dois pontos em relação à medição anterior, e a desaprovação subiu um ponto. Há um mês, a Cadem media 36%; em 11 de março, quando assumiu, o presidente tinha 57%.
O pessimismo também cresceu. Para 69%, o Chile vai por mau caminho, e 68% veem o futuro com pessimismo. Os dois índices são os piores desde março. Outro dado da pesquisa: 87% acham que a economia chilena está estagnada ou em retrocesso.
O desgaste chegou ao ministério. Dos 18 ministros com mais de 40% de conhecimento público, 17 perderam aprovação. No governismo, discute-se se é hora de mudar o gabinete e as vozes do governo.
Fujimori vê desaprovação quase dobrar
Na Ipsos, a desaprovação de Fujimori chegou a 49%, contra 25% em agosto. Outros 11% não opinaram. A pesquisa ouviu 1.212 pessoas em áreas urbanas e rurais entre 7 e 8 de outubro, com margem de erro de 2,8 pontos percentuais para mais ou para menos.
Analista vê impaciência, não ideologia
O pesquisador sênior Michael Shifter, do centro de estudos Inter-American Dialogue, de Washington, afirmou à AFP que vários desses governos criaram expectativas irreais. Segundo ele, o eleitor quer resultados rápidos, o que é impossível. Shifter também disse não ter certeza de que o quadro seria diferente com governos de esquerda.
Na outra ponta está o presidente salvadorenho, Nayib Bukele. Ele tem 83% de aprovação, segundo o AmericasBarometer, após levar as taxas de criminalidade a mínimos históricos. Para isso, o governo prendeu mais de 90.000 suspeitos sob um estado de exceção de quatro anos, marcado por graves abusos, segundo grupos de direitos humanos. Shifter duvida que o sucesso de Bukele contra gangues locais possa ser repetido contra redes criminosas transnacionais.
O AmericasBarometer, base do relatório Pulse of Democracy 2026, reúne 25.282 entrevistas em 21 países. A metodologia usa amostras nacionais probabilísticas.
Como a Cadem mediu
A pesquisa que levou Kast a 30% é a medição nº 698 da Plaza Pública. Ouviu 1.007 pessoas em 164 comunas, por questionário online, em 16 de outubro. A amostragem é não probabilística, por cotas, com ponderação por características da população.
Saber mais
- Cadem via Radio Agricultura
- Cadem via El Dínamo
- Cadem via El Dínamo (gabinete)
- Cadem via Sabes
- Cadem via Ex-Ante
- Cadem via El Magalla News
- Ipsos Perú / Perú21
- AmericasBarometer / Vanderbilt University
- Pulse of Democracy 2026 (Vanderbilt)
- Americas Quarterly
- Gestión (despacho da AFP)
- Buenos Aires Times (despacho da AFP)
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