Pastor queniano é condenado pela morte de 190 crianças e um adulto em jejuns forçados
A juíza Diana Kavedza Mochache também condenou 28 seguidores; a audiência sobre a pena é em 30 de outubro, e a sentença sai em 6 de novembro.
Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 2 min de leitura

O Tribunal Superior de Mombaça, no Quênia, condenou nesta segunda (19) o pastor Paul Mackenzie, líder da Good News International Church, pelo assassinato de 191 pessoas: 190 crianças e um adulto. A juíza Diana Kavedza Mochache concluiu que a acusação provou o caso contra os 29 réus, e cada um foi condenado nas 191 acusações de homicídio.

A pena de cada réu ainda será definida.
O que a juíza decidiu
Os 29 réus foram considerados culpados em todas as acusações de homicídio, com base na seção 203 do Código Penal queniano. O tribunal entendeu que Mackenzie mandava os seguidores jejuarem até a morte para "encontrar Jesus", começando pelas crianças. Quem resistia era contido à força, com agressões e confinamento.
A defesa sustentou que ninguém foi obrigado a morrer. Os réus se declararam inocentes e mantiveram essa versão durante todo o julgamento. A juíza rejeitou o argumento. Ela afirmou que as vítimas, todas com menos de 16 anos, não jejuaram voluntariamente até morrer.
Corpos em Shakahola e outros processos
Os investigadores recuperaram 429 corpos na floresta de Shakahola, no condado de Kilifi, a partir de abril de 2023. Das mortes, 191 são objeto das acusações de homicídio. Só 26 dos mais de 400 corpos foram identificados, porque muitos estavam em estado avançado de decomposição.
Mackenzie ainda responde a outros processos. Ele enfrenta acusações por outros 52 corpos achados em uma vila próxima e responde, em processos separados, por terrorismo, radicalização e por privar crianças de educação. O diretor do Ministério Público, Renson Ingonga, saudou a condenação.
Pena pode ser a de morte
O tribunal vai decidir se aplica a pena de morte ou outra pena prevista em lei. O Quênia mantém a pena de morte, mas não executa condenados desde 1987. A corte já recebeu 68 declarações de impacto das vítimas, colhidas por agentes de condicional, e não vai repeti-las. Falta a fase de mitigação, em que a defesa pede atenuação.
Os relatórios dos agentes de condicional devem ser entregues ao tribunal na sexta (30). A sentença será lida em audiência pública em 6 de novembro, com os condenados presentes na sala.
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