Padres e pastores combatem boatos sobre ebola no Congo; surto soma 4.687 mortes
Igrejas e rádios de Mongbwalu pregam tratamento precoce, enquanto a OMS aponta transmissão alta e 9.704 casos confirmados no país.
Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 2 min de leitura

Padres e pastores de Mongbwalu, no leste da República Democrática do Congo, usam missas e cultos para desmentir boatos sobre o ebola e passar orientações de saúde à população. O surto de ebola causado pelo vírus Bundibugyo já deixou 4.687 mortos no país. O número é da Organização Mundial da Saúde (OMS) e vale até 20 de outubro.
A mobilização acontece num momento em que a doença segue em expansão. A OMS afirma que a transmissão continua alta e sustentada no Congo. Os dados mais recentes mostram 9.704 casos confirmados, com letalidade de 48,3%, em 66 zonas de saúde de oito províncias.
Mortes em casa mostram o peso do atraso
A OMS diz que a alta proporção de mortes nas comunidades evidencia a dificuldade de detectar casos cedo e de levar o paciente a atendimento adequado. Das 482 mortes registradas desde a atualização anterior, 307 ocorreram em comunidades e 175 em centros de tratamento.
Não existe vacina aprovada nem tratamento específico para o Bundibugyo. A OMS afirma que o suporte clínico precoce pode aumentar a chance de sobrevivência.
Igrejas orientam sobre funerais seguros
Em Mongbwalu, cercada por minas de ouro informais, as igrejas repassam orientações de saúde aos fiéis. Segundo ele, as comunidades da província repassam as informações. Os fiéis recebem álcool em gel antes da comunhão, e os padres lembram os cuidados com funerais, já que o corpo de quem morre de ebola continua contagioso.
Um dos boatos mais difundidos é o de que estrangeiros inventaram a doença para tomar terras e minérios. Ivale atribui esse tipo de explicação ao desconhecimento: para ele, as pessoas criam teorias quando não entendem uma doença. Na igreja evangélica Visão da Escada, o pastor Paul Kayongo, que também trabalha na clínica de ebola da cidade, prega que o vírus é real.
A representante da OMS na África, Marie Roseline Belizaire, afirma que os padres conseguem dar à mensagem médica uma dimensão espiritual e bíblica. Nenhuma das fontes oficiais consultadas apresenta avaliação que meça o efeito dessas ações sobre o número de casos.
Casos fora do Congo
O surto chegou a outros países africanos. Uganda também registrou casos, mas o surto por lá terminou. O Quênia soma nove casos, com uma morte, e os oito casos adicionais são contatos conhecidos do primeiro caso importado. A OMS não vê evidência de transmissão comunitária mais ampla no Quênia.
A Nigéria é o quinto país a detectar o vírus desde que o surto foi declarado no Congo, em meados de maio. As autoridades nigerianas identificaram 53 contatos do primeiro caso confirmado, em Abuja. A OMS pede que todos os países da região mantenham alto nível de preparo enquanto o surto no Congo evolui.
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