Operação Olissipo prende 21 e mira tráfico comandado de presídios em Viamão
A Polícia Civil cumpre 40 ordens judiciais no RS e em SC contra um grupo suspeito de tomar um condomínio popular da Vila Augusta e de usar um advogado para repassar ordens de líderes presos.
Redação Bairrista · 15 de outubro de 2026 às 10:39 · 2 min de leitura

A Polícia Civil deflagrou na manhã desta quinta (15) a Operação Olissipo contra um núcleo de organização criminosa que atua em Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Até o momento, 21 pessoas foram presas e dois veículos foram apreendidos.
Para quem mora em Viamão, o foco é um condomínio de habitação popular na Vila Augusta. A polícia suspeita que o grupo ameaçava moradores para controlar o local. Segundo os investigadores, moradores teriam sido ameaçados e expulsos por não aceitarem as determinações da organização. Outros teriam sido expulsos por serem considerados ligados a um grupo rival.
São 40 ordens judiciais: 24 mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão. As ações ocorrem em Viamão, Porto Alegre, Balneário Pinhal e São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, e em Balneário Camboriú, em Santa Catarina. Dos 24 investigados com ordem de prisão, 13 estavam em liberdade. Outros 11 já estavam no sistema prisional e receberam novas determinações judiciais.
Ordens saíam de dentro das cadeias
A investigação é da 2ª Delegacia de Investigação do Narcotráfico (2ª DIN), do Denarc. Segundo a polícia, o grupo é ligado a uma organização criminosa originária do Vale dos Sinos. A apuração começou há cerca de dois anos, a partir de investigações sobre pontos de venda de drogas no município.
De acordo com a Polícia Civil, a organização seguiu funcionando mesmo com parte dos integrantes atrás das grades. Os presos decidiam sobre abastecimento de drogas, divisão de tarefas, funcionamento dos pontos de venda e destino do dinheiro. Em liberdade, gerentes executavam as determinações, coordenavam os demais integrantes e prestavam contas às lideranças.
O delegado Wesley Lopes, da 2ª DIN, afirmou que parte das decisões era tomada por criminosos que já estavam presos.
Comunicado anunciava "nova gestão"
Segundo a investigação, integrantes do grupo teriam tomado o controle de um condomínio em Viamão. Depois, teriam distribuído aos moradores um comunicado sobre a "nova gestão" do local. Para a polícia, o episódio mostra a tentativa de submeter a comunidade ao domínio da organização por meio da intimidação.
O local é o Condomínio Viver Augusta, na Vila Augusta, que teria sido tomado após disputa territorial com outra facção. Conforme a polícia, o grupo investigado teria assumido o controle em 2024.
Advogado é suspeito de elo entre presos e soltos
Entre os presos está um advogado que mora em Cachoeirinha e foi localizado em Santa Catarina. A investigação identificou indícios de que ele era o elo entre a liderança encarcerada e os integrantes em liberdade.
Segundo a polícia, ele encaminhava demandas, retransmitia decisões e intermediava conflitos sobre pontos de tráfico, divisão de funções e responsabilidade por drogas e valores. A Polícia Civil sustenta que as condutas apuradas extrapolariam o exercício regular da advocacia.
A defesa do advogado informou à GZH que ainda estava se inteirando do conteúdo da investigação para poder se manifestar. As investigações prosseguem para esclarecer a participação de cada investigado.
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