Operação prende em SC suspeito de coordenar tráfico em Viamão e mira advogado
Denarc cumpre 24 mandados de prisão preventiva e 16 de busca em cidades do RS e em Santa Catarina; grupo é suspeito de ameaçar moradores de condomínio popular.
Redação Bairrista · 15 de outubro de 2026 às 08:05 · 2 min de leitura

A Polícia Civil prendeu em Camboriú (SC), nesta quinta (15), um homem apontado como responsável por coordenar o tráfico de drogas em Viamão, na Região Metropolitana. Ele é um dos alvos da Operação Olissipo, do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc). Um advogado também é investigado por repassar ordens de lideranças presas a integrantes da facção que seguem em liberdade.
Segundo a polícia, o grupo controla um condomínio de moradias populares em Viamão e ameaçava moradores para manter o domínio do local. A investigação aponta que a organização ainda exerce esse controle e usa o espaço para o tráfico.
Mandados em cinco cidades
A operação cumpre 24 mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão. Os mandados se concentram em Viamão, mas há ações também em Porto Alegre, São Leopoldo, Balneário Pinhal e em Santa Catarina.
Segundo o Denarc, o grupo é investigado por tráfico de drogas, negociação de armas e munições e ameaças a moradores. O objetivo da operação é atingir o comando e a gerência da organização e interromper o abastecimento e a distribuição de drogas.
A investigação começou há cerca de dois anos, a partir da apuração sobre pontos de venda em Viamão. O delegado Wesley Lopes, da 2ª Delegacia de Investigações do Narcotráfico, disse que a polícia identificou uma estrutura com divisão de tarefas e lideranças, inclusive dentro do sistema prisional. Ao todo, 24 pessoas foram identificadas no esquema.
O preso em Camboriú é uma das poucas lideranças do grupo que permaneciam em liberdade, segundo a polícia. Ele exercia controle sobre um núcleo da organização.
Advogado teria feito ponte com a cadeia
De acordo com Lopes, o advogado é investigado por intermediar a comunicação entre líderes encarcerados e integrantes soltos. "Ele repassava comandos dessas lideranças para gerenciar o crime aqui fora", afirmou o delegado.
Os contatos ocorriam pessoalmente e por meio de aparelhos. A suspeita é de que ele transmitisse decisões sobre a gestão dos pontos de venda, a arrecadação de valores e a resolução de conflitos. Para o delegado, a atuação extrapolava o exercício regular da advocacia.
A Polícia Civil não informou quem representa o advogado e o preso em Camboriú.
Moradores expulsos do condomínio
A investigação também apurou uma disputa entre duas facções pelo domínio do condomínio. Em 2024, segundo Lopes, o grupo investigado assumiu o controle do local e anunciou uma "nova gestão". Moradores que não aceitavam as ordens, ou que tinham ligação com facções rivais, eram expulsos.
O diretor do Denarc, delegado Carlos Wendt, afirmou que a disputa envolvia ameaças de homicídio.
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