🔍
Quinta-feira, 15 de outubro de 2026 · Edição para POAIbov 204,3 mil ▲ 0,01%18°C ⛅
PolíticaBrasil

NetLab aponta 1.613 anúncios eleitorais pagos do exterior na Meta, 99,5% em dólar

Peças somam até R$ 2 milhões e 171,1 milhões de impressões; a Meta diz que recategorizou ou retirou o que violava suas regras.

Redação Bairrista · 15 de outubro de 2026 às 21:16 · 2 min de leitura

NetLab aponta 1.613 anúncios eleitorais pagos do exterior na Meta, 99,5% em dólar
Foto: TSE - Tribunal Superior Eleitoral / Wikimedia Commons (Public domain)

O NetLab da UFRJ identificou 1.613 anúncios político-eleitorais pagos em moeda estrangeira e veiculados no Facebook e no Instagram entre julho e setembro de 2026. O relatório estima que 187 anunciantes investiram até R$ 2 milhões no período. O estudo foi divulgado nesta quinta (15).

Os anúncios mencionaram 70 candidatos e alcançaram até 171,1 milhões de impressões. A impressão conta quantas vezes a publicação foi exibida, e não quantas pessoas diferentes a viram. São Paulo respondeu por 72,5 milhões de visualizações, 42% do total. A divulgação do estudo não detalha o alcance no Rio Grande do Sul.

Dólar pagou 99,5% das peças

O dólar pagou 99,5% das peças, o equivalente a 1.605 anúncios. Entre os 1.076 anúncios com localização do pagador disponível, 1.056 (98,1%) estavam nos Estados Unidos. As páginas responsáveis ficavam principalmente nos EUA, mas também na Itália, no México, em Bangladesh e na Colômbia.

A Corporativo Lam, LLC aparece associada a 1.047 anúncios, 97,3% dos que tiveram o pagador identificado. A empresa pode ter investido até R$ 1,6 milhão. Em outros 537 anúncios, 33,3% da amostra, não havia informação suficiente para saber quem pagou.

O NetLab também encontrou 366 anúncios (22,7% da amostra) com indícios de comportamento inautêntico coordenado. Eles estavam ligados a pelo menos 39 páginas e 39 sites. Em 253 anúncios, os investimentos foram elevados. Em 40, o gasto pode ter passado de R$ 10 mil, e a peça mais cara teria superado R$ 50 mil.

Lei proíbe dinheiro estrangeiro na campanha

Pela legislação eleitoral, candidatos e partidos não podem receber recursos de origem estrangeira, nem para pagar anúncios na internet. Só agentes autorizados podem contratar o impulsionamento, que deve vir identificado como propaganda eleitoral e com o CPF ou CNPJ do responsável. Os anúncios pagos em moeda estrangeira começaram a circular antes do início oficial da propaganda, em 16 de agosto.

A diretora do NetLab UFRJ, Rose Marie Santini, criticou a atuação da empresa. "A Meta vendeu e veiculou esses anúncios e só depois os retirou", disse.

Em nota, a Meta afirmou que identificou e recategorizou ou retirou os anúncios que violavam suas políticas. A empresa disse que sua análise tem várias camadas de revisão e detecção.

Segundo o NetLab, os números podem estar abaixo da realidade. A identificação depende da classificação feita pela própria Meta, e o que ela não marca como político fica fora da pesquisa. Em comunicado do TSE, a Meta se comprometeu a fazer esforços para impedir o impulsionamento de propaganda eleitoral com moeda estrangeira e por apoiadores das candidaturas.

Serviço Relatório "Meta lucra com anúncios irregulares promovidos por redes coordenadas para influenciar as eleições no Brasil": site do NetLab UFRJ, em netlab.eco.ufrj.br.

📱 As principais do dia, do teu jeito

Escolhe os assuntos e a região. Chega no WhatsApp, no e-mail ou nos dois. Sai quando quiser.

Sem spam e de graça, como tem que ser 🧉 · privacidade

Saber mais

Produzida e checada pela redação do Bairrista. Viu um erro? Fala com a redação.

Leia também