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Política

Militares veem com apreensão proposta de Flávio de aderir ao Escudo das Américas

Brasil não assinou a declaração de 15 países liderada pelos EUA, e o governo Lula a trata como porta para ingerência em áreas estratégicas.

Redação Bairrista · 16 de outubro de 2026 às 09:01 · 3 min de leitura

Ilustração: composição gráfica sobre o Escud
Ilustração: Bairrista/IA

Militares de alta patente ouvidos pela Folha de S.Paulo veem com apreensão a possibilidade de o Brasil entrar no Escudo das Américas, coalizão de segurança liderada pelos Estados Unidos. Para esses oficiais, uma operação estrangeira em território nacional seria um desdobramento sem precedentes. A adesão foi defendida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), que disputa o segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Para o Rio Grande do Sul, o tema passa pela fronteira. O estado faz divisa com a Argentina, signatária da declaração do bloco, e com o Uruguai, que não consta da lista. Em coluna publicada pelo Século Diário, especialistas em segurança apontam que, fora da coalizão, o Brasil pode sofrer sobrecarga de fronteira e virar rota de refluxo de criminosos.

Hoje, o Brasil está fora do bloco. Qualquer mudança depende de quem vencer a eleição e de decisões formais do próximo governo.

Declaração de 15 países mira PCC e Comando Vermelho

A iniciativa foi lançada em março, em uma cúpula em Miami com o presidente americano, Donald Trump. Em 22 de setembro, 15 países assinaram a declaração do bloco, sob liderança dos Estados Unidos. Entre os signatários estão Argentina, Chile, Paraguai, Peru, Colômbia e Equador.

O texto trata facções criminosas como "ameaças compartilhadas". Entre os alvos estão o PCC e o Comando Vermelho. Os países pretendem aplicar sanções como congelamento de bens e restrições de vistos a integrantes e associados. Ao todo, são 24 organizações criminosas na mira da coalizão.

A declaração também prevê um pedido conjunto à Organização dos Estados Americanos (OEA) por uma reunião para criar um Órgão de Consulta. O objetivo é discutir uma resolução que facilite ações coletivas contra organizações narcoterroristas.

Planalto vê porta para pressão sobre big techs e minerais

O Planalto avalia que o texto vai além do combate ao crime organizado. Para o governo, o crime organizado é só o primeiro tema. Isso abriria precedente para Washington interferir em big techs, infraestrutura chinesa e minerais críticos. Diplomatas classificam internamente a declaração como "muito grave".

Celso Amorim, assessor especial de Lula para assuntos internacionais, disse que a iniciativa coloca o Brasil em um "cerco". Na abertura da Assembleia Geral da ONU, em setembro, Lula afirmou que "o Brasil não cabe no quintal de ninguém".

Por ora, a estratégia do governo é acompanhar o tratamento do tema na OEA. O Brasil é membro fundador da organização e tem direito a voto no pedido de reunião.

Analistas veem ganho contra o crime e risco à autonomia

Em análise publicada nesta segunda (12), Irene Mia, pesquisadora do centro britânico IISS, avaliou que a adesão daria ao Brasil mais ferramentas contra o crime organizado. Segundo ela, os termos da cooperação podem limitar a capacidade de Brasília de manter autonomia e parcerias diversificadas.

Erick Andrade, pesquisador de defesa do GEDD, afirmou à Sputnik Brasil que o Escudo não obriga a instalar bases militares. Para ele, porém, o bloco pode pressionar o Brasil a medidas próximas de uma subordinação estratégica aos EUA.

O próximo passo é a OEA. O governo Lula acompanha o pedido de reunião do Órgão de Consulta e vai decidir como o Brasil vota.

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