Partidos árabes podem decidir quem governa Israel, mas nenhum rival de Netanyahu quer aliança
Duas listas somam cerca de 13 cadeiras nas pesquisas, num Knesset em que nem o bloco de Netanyahu nem o da oposição chega a 61.
Redação Bairrista · 16 de outubro de 2026 às 09:52 · 2 min de leitura

Partidos de maioria árabe podem eleger deputados suficientes para ajudar a definir o próximo primeiro-ministro de Israel na eleição de 27 de outubro. O premiê Benjamin Netanyahu e seus principais rivais dizem que não formarão coalizão com nenhuma sigla árabe depois da votação. Mantêm a posição mesmo que isso signifique meses de impasse e outra rodada de eleições.
O resultado importa porque o desempenho dessas siglas pode mudar a conta de quem consegue montar maioria. Os 120 assentos do Knesset, o parlamento israelense, são disputados por vários partidos, e nenhum deve chegar perto de 61. Quem conseguir juntar uma maioria na coalizão será o próximo primeiro-ministro.
Duas listas somam cerca de 13 cadeiras
Os votos árabes se dividem em duas listas. A Lista Conjunta reúne Hadash, Ta'al e Balad e tem como líder Yousef Jabareen. A outra é a Ra'am (Lista Árabe Unida), liderada por Mansour Abbas. As duas assinaram um acordo de sobras de votos.
A média das 10 últimas pesquisas, em 15 de outubro, dava 52 cadeiras ao bloco de Netanyahu e 51 ao bloco da oposição. Os partidos árabes somavam 13, e são necessárias 61 para governar. Dessas 13, oito iriam para a Lista Conjunta e cinco para a Ra'am. Levantamentos individuais dos últimos dias dão de 13 a 15 cadeiras ao conjunto das duas.
Na aritmética, qualquer um dos campos passaria de 61 se contasse com esses deputados. Na política, é aí que o impasse aparece.
Eisenkot, Lapid e Lieberman descartam a aliança
Gadi Eisenkot, general reformado do centro e principal adversário de Netanyahu, também diz que não se aliará aos partidos árabes. Yair Lapid, líder de centro-esquerda do governo de 2021, disse à Associated Press em maio que não repetiria coalizão com a Ra'am. Avigdor Lieberman, ex-ministro das Finanças de linha dura, também descarta nova parceria.
Os possíveis aliados de Netanyahu se opõem com veemência a incluir partidos árabes e usam a hipótese como ataque ao bloco da oposição.
Apoio de fora do governo entra em debate
Há precedente. O governo formado em 2021 pelos ex-premiês Naftali Bennett e Yair Lapid levou a Ra'am à coalizão para garantir maioria, algo inédito. Abbas rompeu um tabu ao entrar naquele governo, no qual atuou como parceiro leal.
A cientista política Gayil Talshir, ouvida pelo Jerusalem Post, aponta um cenário diferente: Eisenkot e a Ra'am poderiam formar um governo de minoria. A Ra'am votaria para empossar a lista de Eisenkot, mas ficaria fora da coalizão, para impedir que Netanyahu continue premiê. Abbas disse ao Channel 12, em agosto, que sua prioridade é substituir o atual governo de Netanyahu.
Suprema Corte mantém as duas listas na disputa
Abbas condenou o ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023. Ele raramente fala da guerra em Gaza ou da ocupação da Cisjordânia e se concentra em problemas locais, como a criminalidade. Desta vez, o segundo nome da lista dele é um candidato judeu de perfil convencional.
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