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Leite cai 0,90% no Conseleite e Gadolando teme nova baixa com silagem atrasada pela chuva

Entidade diz que o produtor pode ter custo maior e preço menor no fim do ano e cobra do governo federal uma medida antidumping contra lácteos importados.

Redação Bairrista · 14 de outubro de 2026 às 15:28 · 2 min de leitura

Ilustração: produtor rural gaúcho e vacas leiteiras em pastagem encharcada pela chuva
Imagem: Bairrista/IA

A Associação de Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando) alertou nesta quarta (14) para o risco de uma nova queda do preço-referência do leite no Estado. A entidade projeta mais pressão sobre a rentabilidade dos produtores nos próximos meses, por causa do excesso de chuva na formação de pastagens e na produção de alimentos para o rebanho.

Para o produtor gaúcho, a conta pode apertar dos dois lados. O leite paga menos, e o milho para silagem e o feno, base da alimentação do gado, ficam mais difíceis e mais caros de produzir.

Referência caiu 0,90% em setembro

O Conseleite-RS projetou o valor de referência em R$ 2,3910 por litro para setembro de 2026, em anúncio feito em 29 de setembro.

A projeção representa queda de 0,90% sobre a de agosto, de R$ 2,4128 por litro. Os dois números seguem os parâmetros atualizados pela Câmara Técnica do conselho.

Pela metodologia anterior, a referência de agosto foi fixada em R$ 2,4754, queda de 1,01% sobre os R$ 2,5005 de julho.

Os dois conjuntos de valores serão apresentados até outubro, durante a transição.

O indicador orienta as negociações, mas não determina o valor que o produtor recebe.

O coordenador do Conseleite-RS, Kaliton Prestes, citou o aumento da oferta no campo, as importações elevadas e as dificuldades de produção e transporte provocadas pelos temporais recentes.

Chuva atrasa silagem e feno

O presidente da Gadolando, Marcos Tang, disse que o setor esperava estabilidade até dezembro. “Estamos preocupados com a baixa recente no preço-referência demonstrado no Conseleite. Tínhamos a expectativa de uma certa estabilidade do preço do leite até o fim do ano e esperamos que não haja uma queda substancial”, afirmou.

Segundo Tang, o excesso de chuva dificulta o trabalho das máquinas, atrasa o plantio do milho e complica a produção de silagem e feno. Ele aponta um possível aumento do custo de produção por litro. A Gadolando não apresentou estimativa de quanto esse custo pode subir.

O dirigente lembrou que o produtor de leite vem de períodos de estiagem e enchentes. Disse também que quem vende o rebanho dificilmente volta à atividade. “Uma terneira precisa ser muito bem criada durante pelo menos dois anos para começar a dar retorno em produção de leite”, afirmou.

Tang vê algum otimismo no mercado externo. “Alguns movimentos no mercado mundial mostram que pode haver uma estabilidade internacional”, disse.

Entidade cobra antidumping

A Gadolando voltou a cobrar uma atitude do governo federal sobre as importações de lácteos. Tang afirmou que o dumping foi comprovado e que, até agora, não houve medida antidumping. Para a entidade, preços que remunerem o produtor, controle das importações e condições de produzir alimento são o que mantém o produtor na atividade.

A Gadolando não detalhou países, produtos nem a quem o pedido foi dirigido.

Perguntas frequentes

Quanto ficou o preço de referência do leite no RS em setembro de 2026?

O Conseleite-RS projetou R$ 2,3910 por litro, queda de 0,90% sobre a projeção de agosto, de R$ 2,4128 por litro.

O valor do Conseleite é o que o produtor recebe?

Não. O indicador orienta as negociações, mas não determina o valor que o produtor recebe.

Por que a Gadolando teme nova queda no preço do leite?

A entidade cita o excesso de chuva, que atrasa o plantio do milho e a produção de silagem e feno, e as importações elevadas de lácteos. Isso pode elevar o custo e reduzir o preço no fim do ano.

O que a Gadolando cobra do governo federal?

Uma medida antidumping contra lácteos importados. Segundo o presidente Marcos Tang, o dumping foi comprovado, mas até agora não houve medida.

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