Malafaia, Marinho e Tarcísio se afastam de carta de Flávio que alega fraude sem provas
Ministros do STF, em relatos sem identificação, chamam o texto de "patético", e Donald Trump diz que não vai se envolver.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 3 min de leitura

Aliados de Flávio Bolsonaro (PL) criticaram a carta divulgada na quarta-feira (28), em que o senador acusa fraude na eleição presidencial. Nenhuma liderança da direita ouvida endossou a acusação: o pastor Silas Malafaia atacou a forma, o senador Rogério Marinho (PL-RN) disse que não há prova, e o governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos) pediu respeito às urnas.
O texto não traz documento nem dado que sustente a fraude. A diferença entre Lula e Flávio no segundo turno, em 25 de outubro, foi de 4,4 milhões de votos, segundo reportagens sobre o resultado.
O que a carta alega
Flávio publicou a carta na quarta, depois de chegar a Miami. Ele acusa o ministro do STF Cristiano Zanin de atuação "ilegítima e ilegal" ao prorrogar a votação em algumas localidades. Também afirma que Lula recebeu mais de 10 milhões de votos a mais entre os dois turnos e fala em abuso de poder político e econômico da campanha petista. Segundo ele, isso justificaria cassar a chapa Lula-Alckmin.
Diante da repercussão, Flávio publicou uma segunda versão, na qual deixou de se apresentar como "presidente eleito" e passou a se definir como "líder do Brasil". A mudança não retirou as acusações contra o processo eleitoral. Uma reportagem do portal Acorda Cidade, ao contestar a alegação sobre a prorrogação, citou cerca de 34 mil votos registrados depois das 17h.
Malafaia chama os filhos de Bolsonaro de "jumentos"
Em mensagem de WhatsApp a aliados, obtida por O Globo, Malafaia escreveu: "Esses filhos de Bolsonaro são uns jumentos". Na mesma mensagem, disse que os filhos do ex-presidente "só se aconselham com gente errada" e chamou o grupo de "amadores babacas". O termo é um insulto pessoal, não uma avaliação técnica sobre a eleição.
Ao SBT News, o pastor foi mais detalhado. Disse que escrever uma carta é direito de candidato, mas considerou o texto "ridículo, feio e infantil". Criticou também a correção posterior e o brasão que acompanhava o texto, símbolo usado na ditadura.
Na mensagem, Malafaia afirmou que Trump "já tirou o apoio" a Flávio. Questionado na quarta, Trump evitou endossar a carta, confirmou que autorizou a entrada do senador nos EUA e disse que não vai se envolver.
Marinho e Tarcísio rejeitam a acusação de fraude
Marinho, que coordenou a campanha de Flávio, afirmou que nem o PL nem ele podem sustentar a acusação porque não há provas de fraude nas eleições. Ele disse ainda acreditar que pode ter havido "algum problema na confecção da carta".
Tarcísio criticou a carta e defendeu respeitar o resultado das urnas e seguir em frente. Pediu responsabilidade, serenidade e a construção de uma oposição forte. Ele também disse que reconhecer o resultado não significa calar sobre o uso da máquina, programas lançados fora do prazo e a interferência do Judiciário. Ou seja: Tarcísio rejeita a tese de fraude, mas mantém críticas ao governo e ao Judiciário.
A senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra de Jair Bolsonaro, também defendeu respeito ao resultado e pediu união da direita, segundo a Folha de S.Paulo.
Ministros: relatos sem nome
O Valor Econômico informou que ministros do STF consideraram a carta "patética" e entenderam que ela não exige resposta contundente. Um integrante do TSE, sem identificação, disse que "teoria de conspiração não merece resposta". O STF não se manifestou oficialmente, e a resposta pública do TSE sobre a normalidade da eleição já foi publicada por O Bairrista.
O que vem a seguir
A carta substituiu uma entrevista coletiva que Flávio daria na manhã desta quinta (29), em Miami.
Perguntas frequentes
Flávio Bolsonaro apresentou provas de fraude na eleição?
Não. O texto da carta não traz documento nem dado que sustente a acusação, segundo a reportagem.
Qual foi a diferença de votos entre Lula e Flávio no segundo turno?
Foi de 4,4 milhões de votos, em 25 de outubro, segundo reportagens sobre o resultado.
Quem rejeitou a tese de fraude publicamente?
O senador Rogério Marinho disse que não há provas, e o governador Tarcísio de Freitas pediu respeito às urnas.
Saber mais
- Metrópoles (declarações de Tarcísio de Freitas)
- SBT News (entrevista de Silas Malafaia)
- O Globo (reações à carta, mensagem de Malafaia e fala de Marinho)
- Valor Econômico (relatos de ministros do STF)
- O Liberal (íntegra da carta)
- Diário do Centro do Mundo (mensagem de Malafaia e fala de Trump)
- Folha de S.Paulo (posição de Tereza Cristina)
Do interior do RS
Porto Alegre: Grêmio dá ingresso grátis para o jogo com o Athletico a não contemplados

Porto Alegre: Grêmio aposta em estrangeiros contra o Athletico, às 21h30 na Arena

Porto Alegre: ponto facultativo do Servidor vai para sexta (30); saúde e ônibus funcionam

Inter perde por 2 a 1 no último lance e fica com 35 pontos, a um do Z-4

Mais lidas
1Anistia Internacional vai denunciar Milei à ONU e à CIDH por ataques a cinco jornalistas2Dólar cai 1,07%, a R$ 5,349, e Ibovespa recua 0,51% um dia após tombo da reeleição de Lula3Cargueiro C-130T da Marinha dos EUA pousa no Rio após entrar no espaço aéreo brasileiro4STF retoma julgamento e decide se poupador recebe sem aderir ao acordo dos planos5Uruguaiana: Rio Uruguai chega à cota de alerta e Inmet prevê tempestade no norte do RS