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EconomiaBrasilAfeta o RS

Lula quer negociar com Trump, mas admite reciprocidade; tarifa de 25% pesa no RS

Sobretaxa em vigor desde 22 de julho atinge 48,2% das exportações gaúchas aos EUA, calcula a Fiergs.

Por que afeta o RS: Tarifas americanas e uma eventual retaliação brasileira podem atingir exportações gaúchas para os EUA, como calçados, carnes e arroz.

Redação Bairrista · 15 de outubro de 2026 às 22:16 · 2 min de leitura

Foto de divulgação da Agência Brasil sobre a negociação do governo Lula com os EUA em torno da tarifa de 25%
Foto: Divulgação/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, em entrevista à TV Globo nesta quinta (15), que prefere continuar negociando com os Estados Unidos, mas que o Brasil aplicará a Lei da Reciprocidade se for preciso. "Eu quero continuar negociando, mas, se for necessário fazer, nós vamos fazer", disse.

A sobretaxa de 25% em vigor desde 22 de julho deve atingir cerca de 18% das exportações nacionais e quase metade dos embarques gaúchos para os EUA. Pelo cálculo da Fiergs, são 48,2% das vendas do estado ao segundo maior mercado comprador.

Calçados, móveis e máquinas gaúchas pagam a sobretaxa

Entre os itens gaúchos atingidos estão máquinas e equipamentos, equipamentos elétricos, calçados, móveis, tabaco e produtos metalúrgicos. A cobrança se soma às tarifas já aplicadas sobre aço, alumínio e derivados. Com isso, a Fiergs estima que 85,1% das exportações gaúchas aos EUA estejam sob alguma taxação extra.

No agro, a Assessoria Econômica da Farsul fez o cálculo em julho. Pelo levantamento, 70,4% das exportações do agro gaúcho aos EUA em 2025, que somaram US$ 541 milhões, estão na faixa afetada. Fumo, sebo bovino e a cadeia da madeira estão entre os itens mais afetados.

A carne bovina ficou de fora. Ao todo, 2.126 produtos brasileiros foram poupados da cobrança adicional, entre eles café, suco de laranja e carne bovina.

Lula diz que ministros negociaram nesta semana

Os EUA aplicaram a tarifa como punição por práticas comerciais que consideram desleais, após uma investigação que tratou de Pix, etanol e desmatamento na Amazônia. O governo brasileiro disse à Organização Mundial do Comércio (OMC) que as medidas são incompatíveis com as regras do comércio internacional.

Na entrevista, Lula afirmou que os americanos dependem mais dos produtos brasileiros do que o Brasil depende dos EUA. Ele também disse que seus ministros negociaram nesta semana. Segundo ele, o comércio com os EUA caiu 9%, e com a China cresceu 20%. Sobre o presidente dos EUA, Donald Trump, Lula disse que os dois tiveram três reuniões, a última um telefonema de quatro horas e meia.

O tom é parecido com o de 21 de setembro, quando Lula falou à CNN em Nova York. Na ocasião, declarou: "Enquanto estivermos na mesa de negociação, não tenho que aplicar a lei da reciprocidade".

O governo abriu o processo em agosto, e a lei prevê etapas técnicas, jurídicas e diplomáticas antes de qualquer decisão. Lula não anunciou, até agora, produtos nem data para uma resposta.

Perguntas frequentes

Quando a tarifa de 25% dos EUA entrou em vigor?

A sobretaxa vale desde 22 de julho.

Quanto das exportações do RS aos EUA é atingido pela tarifa?

Pelo cálculo da Fiergs, 48,2% das vendas do estado aos EUA. Somando as tarifas sobre aço, alumínio e derivados, 85,1% estão sob alguma taxação extra.

Quais produtos gaúchos são afetados pela sobretaxa?

Máquinas e equipamentos, equipamentos elétricos, calçados, móveis, tabaco e produtos metalúrgicos. No agro, fumo, sebo bovino e a cadeia da madeira estão entre os mais afetados.

A carne bovina paga a tarifa de 25%?

Não. A carne bovina está entre os 2.126 produtos brasileiros poupados da cobrança adicional, junto com café e suco de laranja.

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