DI para janeiro de 2027 sobe a 13,517% na B3 com eleição, fiscal e fim da 6x1
Contratos mais longos subiram mais: o DI para janeiro de 2028 foi de 12,701% para 12,965% no fechamento de quinta (15).
Redação Bairrista · 15 de outubro de 2026 às 22:11 · 2 min de leitura

Os juros futuros fecharam em alta nesta quinta (15) na B3. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 subiu de 13,468%, no ajuste da véspera, para 13,517%, uma alta de 4,9 pontos-base.
O DI serve de referência para o custo do crédito e do financiamento. Quando as taxas futuras sobem, o mercado projeta dinheiro mais caro. Isso pesa sobre empréstimos e investimentos de empresas e famílias em todo o país, inclusive no Rio Grande do Sul.
Contratos longos subiram mais
A alta foi maior nos vencimentos mais distantes. O DI para janeiro de 2028 fechou a 12,965%, ante 12,701% no ajuste anterior, e o de janeiro de 2029 foi a 12,730%, de 12,436%.
Os juros recuperaram prêmio ao corrigir o rali eleitoral da semana passada. O mercado passou a ver uma disputa mais acirrada entre Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se recupera nas pesquisas. Pesou também a falta de clareza sobre a trajetória fiscal do próximo governo, já que investidores esperavam um ajuste mais austero com a alternância de poder.
"A eleição abriu a caixa de Pandora", disse o economista-chefe da Monte Bravo, Felipe Tavares, à Broadcast, ao descrever a soma de fatores que moveu as taxas à tarde.
Fim da 6x1 pesou em menor medida
A aprovação, pelo Senado, da PEC que acaba com a escala 6x1 já estava precificada, mas também pesou, em menor medida, na recomposição dos juros. O texto reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais sem corte de salário e foi aprovado por 75 votos a 1. Há uma transição de 14 meses a partir da publicação da emenda, que não passa por sanção presidencial.
Estudo da gestora Warren, assinado pela economista Andréa Angelo, foi produzido em junho de 2026 e divulgado nesta quinta. O levantamento estima impacto acumulado de 38 a 42 pontos-base no IPCA, ou seja, cerca de 0,4 ponto percentual. Com o IPCA em 12 meses a 4,58% até setembro, a inflação poderia ficar entre 4,96% e 5%.
Segundo o estudo da Warren, o efeito se concentraria em serviços intensivos em mão de obra, com impacto limitado sobre o índice agregado.
Empresários vão pressionar o Congresso por regulamentação
Entidades empresariais dizem que a redução da jornada precisará ser revisitada para se adequar a cada setor e vão pressionar o Congresso pela regulamentação. Leis futuras vão tratar de micro e pequenas empresas e de setores com escalas especiais.
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