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Lobista diz à CNN que fará delação e chama Lula de mentiroso; Planalto nega contato

Investigada pela PF por suposto tráfico de influência, Roberta Luchsinger também mira Lulinha; oposição pede proteção a ela e a Secom nega interlocução.

Redação Bairrista · 18 de outubro de 2026 às 11:34 · 2 min de leitura

Ilustração: foto do Senado Federal, usada como imagem de acompanhamento da matéria sobre a lobista Roberta Luchsinger e a delação.
Foto: Senado Federal / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

A lobista Roberta Luchsinger disse à CNN Brasil que quer fazer delação premiada e que não vai poupar o presidente Lula (PT) nem o filho dele, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A entrevista foi gravada neste sábado (17), no apartamento dela, em São Paulo, e foi ao ar às 20h, no CNN Prime Time. Na conversa, ela chamou Lula de "grande mau caráter", "grande mentiroso" e "grande covarde".

A fala cai no meio da disputa do segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL). A nota do Planalto questiona o momento da entrevista, e a oposição já transformou o caso em pauta de campanha e de Congresso. Dois parlamentares ligados ao RS entraram nos pedidos de proteção: o senador eleito Marcel van Hattem (Novo-RS) e o deputado federal Sanderson (PL-RS).

O que ela afirmou e o que o Planalto responde

Luchsinger afirma que Lula sabia das reuniões de Lulinha com ministros do governo. Perguntada se já viu o filho do presidente sentado com ministro, respondeu: "Inúmeras vezes". Ela também disse que ministros a procuravam para pedir ajuda a conseguir agenda com o presidente.

A Secretaria de Comunicação da Presidência respondeu em nota. Segundo o texto, Lula desconhece inteiramente os fatos relatados, jamais manteve interlocução com ela e nunca recebeu suas demandas. A Secom acrescenta que não existe contrato do governo federal com Luchsinger.

Investigação e delação

Luchsinger é investigada em inquérito que apura sua relação com o empresário Antônio Camilo Antunes e com Lulinha. Ela e o filho do presidente são investigados pela Polícia Federal por tráfico de influência. O caso tramita na Operação Sem Desconto, que apura fraudes no INSS.

Sobre a delação, ela disse que estará pronta para colaborar quando a Justiça julgar o momento adequado, porque existe trâmite legal para isso. Ela não anunciou acordo fechado com a PF ou a PGR.

Oposição pede proteção

Luchsinger diz receber ameaças de morte e teme pela segurança das duas filhas. O líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto Silva (PL), afirmou ter protocolado ofícios à PF, ao Ministério da Justiça e à PGR pedindo proteção a ela. A deputada Coronel Fernanda (PL-MT) anunciou que pedirá a inclusão imediata da lobista no Programa de Proteção a Testemunhas. Um ofício enviado em 17 de outubro ao ministro do STF André Mendonça, assinado por Sanderson, também pede medidas de proteção. Os órgãos ainda não divulgaram resposta aos pedidos.

Flávio Bolsonaro comemorou a entrevista, e o PL celebrou as declarações em publicação no X.

Cabo Gilberto disse que vai pedir a convocação do ministro da Justiça, Wellington César, à Comissão de Segurança Pública da Câmara. A oposição também quer abrir uma CPMI sobre o caso. O pedido de CPMI ainda depende de coleta de assinaturas.

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