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Hebron: Israel demole casas de suspeitos de ataque; mais de 3 mil palestinos deslocados

Operação na Cisjordânia ocupada segue com fechamento de acessos à cidade, e o alto-comissário da ONU para Direitos Humanos pede o fim das medidas.

Redação Bairrista · Repórter de Política · · 2 min de leitura

Pronunciamento em vídeo do escritório de Direitos Humanos da ONU sobre a situação em Hebron, na Cisjordânia.
Foto: Divulgação/ONU

Forças israelenses demoliram na sexta (30) as casas dos dois palestinos apontados pelo Exército de Israel como autores do ataque a um posto de controle perto de Hebron, na Cisjordânia ocupada, segundo a Reuters. O ataque, em 23 de outubro, matou dois soldados israelenses e feriu outros três. Os dois atiradores também morreram.

A operação que se seguiu ao ataque já deslocou à força mais de 3 mil palestinos. O Escritório da ONU para Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) informou que parceiros de ajuda apoiam as autoridades locais no atendimento às mais de 3 mil pessoas retiradas pelas forças israelenses.

Moradores ouvidos pela Reuters contaram que as casas derrubadas eram ocupadas pelas esposas e pelos filhos dos suspeitos, antes de os soldados obrigarem os palestinos a deixar a área. Autoridades locais relatam que casas, lojas, estradas e fábricas também foram demolidas desde o ataque.

Israel fechou a maioria das entradas de Hebron, o que limita a circulação e o acesso de quem precisa de atendimento médico. A ONU relata que o bloqueio confina muitas pessoas em suas casas e nos bairros vizinhos.

ONU pede retorno dos deslocados

O alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, falou na segunda (26). Ele disse que as medidas levantaram graves preocupações de uso desnecessário e desproporcional da força, e que o uso da força deve terminar. Türk afirmou que os deslocados precisam poder voltar para casa e que Israel deve garantir compensação e reparação por despejos e demolições ilegais.

Türk afirmou que a punição coletiva é uma grave violação do direito internacional. Segundo ele, ameaças de esvaziar bairros inteiros levantam preocupações de limpeza étnica.

O Exército israelense afirmou que continuará agindo de forma "proativa e ofensiva" para impedir ataques e proteger moradores da região. O ministro da Defesa, Israel Katz, disse à emissora KAN que os moradores só poderão voltar quando a "infraestrutura do Hamas" for desmontada.

Saber mais: fontes consultadas (3)

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