Ex-presidente do BRB diz à PF que Vorcaro o convidou para chefiar holding do Master
Paulo Henrique Costa afirma que o convite foi formalizado em 24 de outubro de 2024 e que a estrutura reuniria as instituições privadas do grupo e a participação no BRB.
Redação Bairrista · Repórter de Polícia · · 2 min de leitura

O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, disse à Polícia Federal que Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master, o convidou para presidir uma nova holding financeira do grupo. Segundo o relato, o convite veio no fim de outubro de 2024 e a holding englobaria as instituições privadas do Master e a participação no BRB. O depoimento veio a público em 29 de outubro de 2026.
O caso não afeta diretamente clientes ou serviços bancários no Rio Grande do Sul. O interesse para o leitor gaúcho está na apuração sobre uma operação entre um banco público e uma instituição privada, que corre na PF e no Supremo Tribunal Federal.

O que Costa afirmou sobre a holding
Costa contou que a nova holding seria formada a partir da privatização do BRB. Pela descrição dele, a estrutura colocaria sob o mesmo guarda-chuva instituições financeiras ligadas ao Master, incluindo o próprio BRB.
Para assumir o posto, ele teria de sair do comando do banco público. Antes de responder a Vorcaro, procurou o então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), para avaliar a possibilidade de deixar o BRB antes do previsto. Costa afirmou que o convite era de conhecimento de Ibaneis.
Costa não assumiu a holding
Os relatos publicados do depoimento não indicam que a holding tenha sido constituída nem que Costa tenha assumido o cargo.
Imóveis entram na conversa
A PF investiga seis imóveis de alto padrão em Brasília e São Paulo. Segundo as investigações, eles teriam sido repassados por Vorcaro a Costa e somariam R$ 146,5 milhões. Para os investigadores, os bens podem configurar vantagem indevida.
Costa nega. Ele afirmou à PF que não recebeu os seis apartamentos como propina ou vantagem. Também sustentou que a moradia nas duas cidades fazia parte das negociações do contrato de trabalho na holding. Segundo a versão dele, cinco negociações não foram concluídas e a sexta unidade foi vendida a outra pessoa.
Jantar, Ibaneis e a tentativa de compra do Master
Em outro trecho, Costa disse que o negócio entre BRB e Master foi acertado em um jantar na casa de Vorcaro. De acordo com ele, o então governador determinou ali que o presidente do BRB estruturasse uma operação envolvendo os dois bancos. Costa disse que ficou surpreso com a orientação.
A PF suspeita que as operações deram suporte à tentativa de compra do Master pelo BRB, depois barrada pelo Banco Central. A corporação aponta fraude superior a R$ 12 bilhões nas operações com carteiras repassadas ao BRB.
Vorcaro nega fraude
Em depoimento à PF, Vorcaro negou ter cometido fraudes bancárias na tentativa de compra do Master pelo BRB. Costa e Vorcaro estão entre os indiciados pela PF no inquérito principal do caso. O indiciamento é uma etapa da investigação e não equivale a condenação. O material foi encaminhado ao STF, que decide os próximos passos do processo.
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