FMI cobra países-membros por fundos de crédito a nações pobres; custo da dívida vai a 14% da receita
Kristalina Georgieva também pediu a recomposição urgente do fundo que cancela dívidas após catástrofes, em coletiva nas reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial.
Redação Bairrista · 14 de outubro de 2026 às 13:36 · 2 min de leitura

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, pediu nesta quarta (14), em Bangkok, que os países-membros cumpram as promessas de financiamento a um fundo do FMI. O fundo empresta a juros baixos ou zero para países de baixa renda. Ela também defendeu a recomposição do fundo que concede alívio e cancelamento de dívidas após catástrofes.
Georgieva falou em coletiva durante as reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial, na capital da Tailândia. O pedido atinge as nações mais pobres, que pagam uma fatia cada vez maior da arrecadação em juros e amortizações.
Custo da dívida mais que dobrou em dez anos
Segundo Georgieva, o custo médio do serviço da dívida subiu para 14% das receitas, ante 6% há uma década, mesmo com a redução do peso geral das dívidas. Ela disse que combustíveis e alimentos mais caros, ajuda ao desenvolvimento menor e pouca disposição dos investidores por ativos de risco aumentam a pressão.
Ela afirmou que os juros mais altos dos títulos de referência nas economias avançadas contaminam os mercados emergentes e os países de baixa renda. "O risco de divergência é mais perigoso para quem já está mais atrás", disse.
FMI triplicou a capacidade do PRGT e pede reforço urgente ao CCRT
O primeiro é o Fundo Fiduciário para Redução da Pobreza e Crescimento (PRGT, na sigla em inglês). Ele oferece empréstimos a juros baixos ou nulos a países de baixa renda. O FMI reestruturou o PRGT para triplicar a capacidade de empréstimo, mas Georgieva disse que os membros precisam honrar os compromissos de financiamento. Ela não deu detalhes sobre promessas atrasadas ou não cumpridas.
O segundo é o Fundo Fiduciário para Contenção e Alívio de Catástrofes (CCRT). Ele concede doações para alívio e cancelamento do serviço da dívida dos membros mais pobres e vulneráveis. Georgieva afirmou que o CCRT precisa de recomposição urgente, pelo uso frequente nos últimos anos.
O ministro das Finanças de Camarões, Louis Paul Motaze, falou em nome de mais de uma dúzia de países da África Subsaariana. Motaze endossou o pedido de reforço aos dois fundos.
FMI tem acordo de US$ 2,2 bilhões com o Senegal
Georgieva disse estar otimista de que o Senegal, último país a pedir alívio pelo Marco Comum do G20, concluirá a reestruturação com rapidez. O FMI fechou acordo técnico para um programa de US$ 2,2 bilhões com o país da África Ocidental.
Ela citou economias avançadas como os Estados Unidos entre as "piores infratoras" por não recomporem as reservas fiscais desde a pandemia.
Serviço
- O quê: reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial
- Onde: Centro de Convenções Rainha Sirikit, em Bangkok (Tailândia)
- Quando: até domingo (18)
Perguntas frequentes
Quanto o custo da dívida dos países pobres subiu, segundo o FMI?
Segundo Kristalina Georgieva, o custo médio do serviço da dívida subiu para 14% das receitas, ante 6% há uma década.
O que é o PRGT do FMI?
É o Fundo Fiduciário para Redução da Pobreza e Crescimento, que oferece empréstimos a juros baixos ou nulos a países de baixa renda. O FMI o reestruturou para triplicar a capacidade de empréstimo.
O que é o CCRT do FMI?
É o Fundo Fiduciário para Contenção e Alívio de Catástrofes, que concede doações para alívio e cancelamento do serviço da dívida dos membros mais pobres e vulneráveis. Georgieva diz que precisa de recomposição urgente.
Até quando vão as reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial?
Até domingo (18), no Centro de Convenções Rainha Sirikit, em Bangkok, na Tailândia.
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