Fim do bônus demográfico deve frear renda por gaúcho a 0,56% ao ano até 2040
Estudo do IFEP-RS estima em R$ 67,7 bilhões a diferença para o cenário em que o ritmo das últimas duas décadas se mantivesse; a economia não encolhe.
Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 3 min de leitura

A renda média do gaúcho deve crescer mais devagar até 2040 com o fim do bônus demográfico, segundo estudo do Instituto Fecomércio-RS de Pesquisa (IFEP-RS). No exercício que mantém constantes as taxas de participação e de ocupação de 2023 e altera só a composição etária, o PIB per capita projetado cresce 0,56% ao ano entre 2024 e 2040. Entre 2002 e 2023, a média foi de 1,05% ao ano.
A economia gaúcha não encolhe nessa conta. O que cai é o ritmo de ganho da renda por habitante. O PIB per capita chegaria a R$ 71,8 mil em 2040, em valores de agosto de 2026, cerca de R$ 6,2 mil abaixo do nível que seria alcançado se o ritmo anterior fosse mantido.
No total do Estado, a diferença soma R$ 67,7 bilhões, o equivalente a 7,9% do PIB que o Rio Grande do Sul alcançaria se preservasse o ritmo do período analisado. O número é estimativa do próprio estudo. Trata-se de perda em relação a um cenário de referência, não de queda absoluta do PIB.
Dois cenários, os dois abaixo da média histórica
O IFEP-RS trabalhou com dois exercícios. Eles usam as projeções populacionais do IBGE e a manutenção do ritmo de crescimento da produtividade das últimas duas décadas. A renda por habitante cresceria entre 0,56% e 0,83% ao ano até 2040, conforme a evolução da participação no mercado de trabalho e da taxa de ocupação. A taxa de 0,83% vem do cenário que prolonga as tendências das duas décadas anteriores.
O ponto de partida é demográfico. O bônus terminou no RS em 2014, quando as pessoas de 15 a 64 anos eram cerca de 70% da população, três anos antes do pico nacional, em 2017. A fatia deve cair para 64,8% em 2040, abaixo da média brasileira projetada, de 67,2%. As pessoas com 60 anos ou mais eram 11% dos gaúchos em 2002 e 20% em 2023, e devem chegar a 28% em 2040.
A contribuição da estrutura etária para o crescimento da renda por habitante já caiu de 0,81 ponto percentual ao ano, entre 2002 e 2008, para 0,07, entre 2019 e 2023.
Produtividade é o que sobra para puxar a renda
Com a demografia deixando de ajudar, o peso recai sobre o rendimento de cada trabalhador. Entre 2002 e 2023, a produtividade do trabalho gaúcha cresceu em média 0,65% ao ano, abaixo da média brasileira de 0,94%. Segundo o estudo, o Estado precisaria elevar esse ritmo para 1,14% ao ano para evitar a perda de crescimento.
A comparação com os vizinhos aparece na nota anterior da série. De 2002 a 2023, o PIB per capita gaúcho subiu 24%, à frente apenas de Santa Catarina, com 19%. O Paraná teve o melhor desempenho do Sul, com 31%. No Paraná, cerca de 73% da expansão da renda por habitante veio de ganhos de produtividade. Em Santa Catarina, o crescimento se dividiu entre produtividade e aumento da população ocupada.
O diretor-executivo do IFEP-RS, o economista Lucas Schifino, afirmou que o RS não teve o impulso demográfico catarinense nem os ganhos de produtividade paranaenses. O Estado dependeu mais da expansão do emprego, mecanismo que tende a perder força com o envelhecimento.
O que vem a seguir na série
O estudo faz parte da série "Estudos em Crescimento Econômico e Produtividade", do IFEP-RS. São quatro notas. As que faltam tratam dos determinantes da produtividade gaúcha e da influência da estrutura setorial da economia no desempenho do Estado.
Saber mais
- Fecomércio-RS / IFEP-RS – Nota 1: O RS ficou para trás?
- Expansão – RS precisa elevar produtividade para ampliar renda, aponta Fecomércio-RS (segunda nota técnica do IFEP-RS)
- Jornal do Comércio – PIB per capita do RS pode cair pela metade se produtividade não aumentar
- Correio do Povo – Envelhecimento da população gaúcha muda cenários (texto de origem, reproduzido por terceiros)
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