EUA sancionam Ministério da Defesa de Ruanda por apoio ao M23 no leste do Congo
O Tesouro americano também atingiu o banco Zigama, acusado de pagar armas para o Exército ruandês e de ajudar a levar ouro de áreas rebeldes para Kigali.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 2 min de leitura

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos sancionou nesta quarta (28) o Ministério da Defesa de Ruanda e a instituição financeira Zigama Credit and Savings Society. A acusação é de que ambos apoiaram o Movimento 23 de Março (M23) e sua ala política, a Aliança do Rio Congo. A ONU diz que Ruanda apoia os rebeldes, o que Kigali nega.

A medida aumenta a pressão sobre Kigali para encerrar a presença militar no leste congolês. O Tesouro aponta ali uma crise humanitária, com deslocamento em massa de civis.
O que as sanções fazem
O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), braço do Tesouro, bloqueou os bens dos dois alvos sob jurisdição americana e proibiu cidadãos e empresas dos EUA de negociar com eles. A lista não nomeia nenhuma pessoa física, e o Tesouro cita a Ordem Executiva 13413, de 2006, sobre o conflito na RD Congo.
O que o Tesouro alega
Por determinação do ministério, as Forças de Defesa de Ruanda (RDF) enviaram milhares de soldados às províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul. Lá, atuam ao lado do M23 e fornecem equipamento militar ao grupo. O Tesouro afirma que Ruanda levou à região sistemas de mísseis terra-ar e equipamentos de interferência eletrônica, o que ameaça a aviação civil.
Sobre o Zigama, o Tesouro diz que a instituição facilitou pagamentos a entidades na China e em outros países por armas, munições e equipamentos para a RDF, além de viagens e hospedagem em treinamentos. Uma agência do banco teria permitido o transporte de ouro de território controlado pelo M23 até Kigali. O Tesouro diz ainda que a instituição intermediou transações de dezenas de milhões de dólares para o M23 e a Aliança do Rio Congo.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que os EUA cumprem a promessa do presidente Donald Trump de cobrar de Ruanda os compromissos dos Acordos de Washington para Paz e Prosperidade. Bessent disse: "Ruanda deve interromper seu apoio ao M23 e retirar suas tropas do leste da RD Congo."
Ruanda já havia sido sancionada em março
Os Acordos de Washington foram assinados por Ruanda e RD Congo em 4 de dezembro de 2025. As Forças de Defesa de Ruanda já tinham sido sancionadas pelo OFAC em 2 de março de 2026. Os combates seguem no leste congolês, onde o M23 enfrenta tropas do Congo e as Forças Democráticas de Libertação de Ruanda, milícia hutu com origem no genocídio de 1994.
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