EUA adiam reconhecimento da vitória de Lula; Vieira deve ver Rubio em Atlanta na sexta
Aliados de Flávio Bolsonaro dizem que o governo Trump perguntou se o senador aceitaria o resultado; a Casa Branca ainda não se manifestou.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 3 min de leitura

O governo de Donald Trump ainda não reconheceu a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno de domingo (25). Segundo a Folha de S.Paulo, integrantes da administração americana procuraram aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL) para saber se ele aceitaria o resultado. Até o início da tarde desta segunda (26), a Casa Branca não havia se pronunciado.
A indefinição chega a poucos dias de um encontro diplomático. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, deve se reunir com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, durante a reunião de chanceleres do G20, em Atlanta, na Geórgia. Para os exportadores gaúchos, a relação com os EUA depende desse canal aberto entre os dois governos.
Comunicado pronto, mas segurado
De acordo com a Folha, o Departamento de Estado tinha um rascunho de nota parabenizando o Brasil. A Casa Branca orientou o órgão a segurar a publicação e "avaliar" a situação depois das declarações de Flávio. A embaixada dos EUA no Brasil não informou quando o governo americano pretende divulgar uma manifestação.
Flávio disse, na noite de domingo, que não reconhecia a vitória de Lula e pediria a anulação da eleição. Ele criticou a decisão do ministro do STF Cristiano Zanin de prorrogar o horário de votação. A Folha não identifica os aliados que relataram o contato com o governo americano.
Com 100% das urnas apuradas, Lula teve 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proclamou o resultado às 21h08 de domingo.
Aliados de Trump questionam a eleição
Antes do fim da apuração, um assessor de Trump disse à Folha que o presidente americano estava inclinado a reconhecer o resultado ainda no domingo se Flávio vencesse. Questionado sobre uma vitória de Lula, o assessor afirmou que o cenário não havia sido discutido com Trump.
Perguntado por jornalistas no domingo, Trump disse apenas: "Não quero entrar nesse assunto, mas estamos monitorando". Figuras próximas a ele subiram o tom. O ex-estrategista da Casa Branca Steve Bannon defendeu nesta segunda que Trump e Rubio rompessem relações diplomáticas com o Brasil. O advogado Martin De Luca, que atuou em processos contra o ministro Alexandre de Moraes, acusou fraude na eleição sem apresentar provas.
Do lado brasileiro, a campanha de Flávio fala em "golpe judiciário", e aliados sugerem fraude sem provas.
O que o silêncio rompe
Analistas apontam que a demora foge do padrão. Em 2002, 2014, 2018 e 2022, Washington reconheceu rapidamente o vencedor da eleição brasileira. Os especialistas também veem na postura americana um possível fator para a decisão de Flávio de contestar ou não o resultado.
Governantes de direita da América Latina, como o colombiano Abelardo de la Espriella e o chileno José Antonio Kast, já parabenizaram Lula.
Reunião em Atlanta na sexta e no sábado
Rubio viajará a Atlanta de 30 a 31 de outubro para sediar a Reunião de Ministros das Relações Exteriores do G20. Vieira embarca para os EUA nesta semana e, segundo a Folha, deve se encontrar com Rubio na capital da Geórgia. O Itamaraty ainda não confirmou oficialmente a agenda bilateral.
Saber mais
- Folha de S.Paulo – Aliados de Flávio dizem ter avisado governo Trump que senador contestaria resultado da eleição
- Departamento de Estado dos EUA – Viagem do secretário Rubio a Atlanta para o G20
- Estado de Minas (BBC News Brasil) – O que o silêncio de Trump sobre a vitória de Lula diz sobre a relação entre Brasil e EUA
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