Conferência aprova fim dos segundos bissextos no UTC a partir de 20 de maio de 2027
Diferença entre a hora oficial e a rotação da Terra poderá chegar a uma hora, e o prazo de 2035 foi antecipado em oito anos.
Redação Bairrista · 17 de outubro de 2026 às 15:03 · 2 min de leitura

A Conferência Geral de Pesos e Medidas (CGPM) aprovou nesta quinta-feira (15), em Versalhes, na França, o fim dos segundos bissextos no Tempo Universal Coordenado (UTC). A partir de 20 de maio de 2027, o UTC passa a correr sem interrupções, conforme resolução adotada na 28ª reunião da conferência.

No dia a dia do gaúcho, nada muda: a mudança não será perceptível no cotidiano. O calendário também não é afetado, e o próximo ano bissexto continua sendo 2028. A alteração mexe com quem depende de sincronização precisa: bancos, operadoras de telecomunicações, empresas de energia e centros de dados.
O que a resolução muda
O segundo bissexto servia para manter o UTC, baseado em relógios atômicos, alinhado à rotação da Terra. Foram 27 inserções desde 1972, a última no fim de 2016.
Pela nova regra, a diferença máxima entre o tempo da rotação terrestre (UT1) e o UTC será de 3.600 segundos, ou uma hora.
Esse intervalo deve levar séculos para ser alcançado.
A decisão antecipa o que já estava combinado. Em 2022, os países-membros aprovaram um plano para eliminar o segundo bissexto até 2035.
Por que a pressa
O motivo central é o risco de um segundo negativo, nunca testado. Um relatório de 2025 do Serviço Internacional de Rotação da Terra (IERS) estimou em 30% a chance de um segundo bissexto negativo até 2035, segundo o BIPM.
Tirar um segundo do relógio nunca foi feito, e o BIPM avalia que operadores de infraestrutura crítica estão "largamente despreparados". Com o UTC contínuo, essa hipótese deixa de existir.
Segundo o rascunho da resolução, a União Internacional de Telecomunicações (UIT-T), a União Internacional de Rádio-Ciência (URSI) e representantes da indústria pediram formalmente ao BIPM a antecipação. O documento também aponta que provedores globais de serviços usam métodos próprios para driblar o segundo extra em seus servidores, o que gera inconsistência entre sistemas. O Google, por exemplo, adotou em 2008 a técnica de diluir o segundo extra ao longo de várias horas.
Astrônomos perdem a referência
Os astrônomos poderão recorrer diretamente ao tempo astronômico para cálculos que exijam mais precisão sobre a posição da Terra em relação aos astros. O UTC deixa de servir como indicador aproximado da rotação do planeta.
A diretora do Departamento de Tempo do BIPM, Patrizia Tavella, afirmou que o importante é manter o UTC relacionado à rotação da Terra.
No Brasil, a Hora Legal é gerada pelo Observatório Nacional, no Rio de Janeiro. O órgão não divulgou posição sobre a mudança.
Próximo passo
A nova regra passa a valer em 20 de maio de 2027, data que coincide com o Dia Mundial da Metrologia. Até lá, bancos, operadoras e empresas de tecnologia têm cerca de sete meses para ajustar seus sistemas de tempo.
Perguntas frequentes
A partir de quando os segundos bissextos deixam de existir?
A partir de 20 de maio de 2027, o UTC passa a correr sem interrupções.
O calendário muda com o fim do segundo bissexto?
Não. O calendário não é afetado, e o próximo ano bissexto continua sendo 2028.
Essa mudança afeta o relógio do dia a dia no RS?
Não. A alteração não será perceptível no cotidiano, e afeta principalmente bancos, operadoras, empresas de energia e centros de dados.
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