Riso espontâneo e riso voluntário vêm de duas redes do cérebro, indica revisão de estudos
Autores da revisão na Trends in Neurosciences explicaram o trabalho na terça (13) em artigo no The Conversation, com versão em português.
Redação Bairrista · 17 de outubro de 2026 às 16:03 · 2 min de leitura

Duas redes cerebrais diferentes produzem o riso humano, segundo a revisão "The neural basis of laughter". O trabalho foi publicado on-line em 23 de junho de 2026 na revista Trends in Neurosciences. Os autores são Fausto Caruana, do Conselho Nacional de Pesquisa da Itália (CNR), e Sophie Scott, da University College London (UCL).

Para quem lê, a revisão ajuda a entender por que uma gargalhada às vezes não obedece à vontade. A risada que escapa em hora errada e a risada educada de uma conversa funcionam com circuitos distintos.
Uma rede antiga e outra ligada à fala
A primeira rede é emocional e involuntária. Segundo os autores, ela corresponde a um sistema de vocalização que os humanos compartilham com outros mamíferos. Esse sistema, de origem evolutiva antiga, estaria ligado ao riso espontâneo e às suas funções de vínculo social e de alívio da dor.
A segunda rede é voluntária. Ela aproveita as redes da fala e serve à negociação social e à conversa. Na prática, funciona como uma pontuação falada.
A revisão reúne estudos de estimulação elétrica do cérebro. Caruana colabora com a unidade de cirurgia de epilepsia do Hospital Niguarda, em Milão, onde pacientes com epilepsia resistente a medicamentos passam por esse procedimento com fins clínicos. Os autores contam que a estimulação em cinco ou seis áreas do cérebro provoca gargalhadas fortes. Quando a estimulação atingiu a rede emocional, o riso veio com sensação de prazer. Na rede motora, o riso atrapalhou a fala e não teve ligação com emoção.
Alívio da dor ainda é hipótese
Os autores associam o riso espontâneo ao sistema opioide e ao da serotonina, o que poderia explicar o prazer e a redução temporária da dor. É uma explicação possível, não um mecanismo comprovado pela revisão.
Também não há aplicação clínica testada do riso contra a dor. "Queremos investigar melhor o papel analgésico do riso", disse Caruana , ao tratar dos próximos passos.
A revisão está na Trends in Neurosciences, volume 49, edição 7, páginas 536 a 550, com texto completo no site da Cell Press. O artigo dos autores no The Conversation tem versão em português.
Saber mais
- Cell Press – Trends in Neurosciences, "The neural basis of laughter"
- ScienceDirect – Trends in Neurosciences, volume 49, edição 7
- News-Medical – declarações de Fausto Caruana
- The Conversation (português) – O que acontece no seu cérebro quando você não consegue parar de rir?
- UCL News – Analysis: What happens in your brain when you can't stop laughing?
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