Produtores do RS enfrentam diesel racionado às vésperas do plantio; oferta nacional sobra
Ministério de Minas e Energia projeta 4,184 milhões de m³ para outubro, ante demanda de 3,95 milhões, mas cooperativas e postos gaúchos recebem menos do que pedem.
Redação Bairrista · 17 de outubro de 2026 às 15:09 · 3 min de leitura

Produtores rurais do Rio Grande do Sul relataram nesta semana dificuldade para comprar os volumes habituais de diesel, com restrições também nas entregas a cooperativas e postos. O aperto chega no momento em que tratores, plantadeiras e pulverizadores entram nas lavouras para a safra de verão.
O governo federal diz que o problema não é falta de produto no país. O Ministério de Minas e Energia (MME) informou oferta confirmada de 4.184 mil metros cúbicos de diesel para uma demanda estimada de 3.950 mil . O estoque nacional é de 1.937 mil metros cúbicos, o suficiente para cerca de 15 dias de demanda.
Cotas reduzidas em Santa Cruz, Santa Maria e Júlio de Castilhos
Em Santa Cruz do Sul, o agricultor Arcênio Dupont relata ter recebido apenas mil dos 2 mil litros habituais.
Em Júlio de Castilhos, uma cooperativa que atende 6 mil produtores não consegue suprir a demanda integralmente.
Em Santa Maria, o produtor Sidnei Prates precisou recorrer a vários postos para garantir diesel para a colheita de arroz, e os estabelecimentos também trabalham com cotas reduzidas.
A Sulpetro, associação que representa os postos gaúchos, afirma que os estoques nacionais estão "no limite do consumo" . O presidente da entidade, Fabrício Severo Braz, resume: "não há falta de produto, mas sim restrição, acompanhada de valores mais altos" .
A Agência Nacional do Petróleo (ANP) declarou não haver risco de desabastecimento no Rio Grande do Sul nem no restante do país e reforçou o monitoramento dos estoques e da distribuição após os relatos. Em setembro, a agência já havia admitido acompanhar relatos pontuais de dificuldade para adquirir o produto, especialmente o diesel S500 .
Farsul aponta preço de até R$ 7,59 o litro
O problema não é novo no estado. Em ofício de 29 de setembro, a Federação da Agricultura do RS (Farsul) apontou limites de cota por produtor, prazos de entrega não garantidos por revendedores e preços acima de R$ 7,70 por litro em alguns pontos . A indisponibilidade do S500 foi confirmada em Pelotas, Restinga Seca, Santa Bárbara e Lavras do Sul.
Em outro ofício, a entidade citou falta do produto em Giruá, Cruz Alta e Pelotas e alta de quase 28% no preço médio do litro em setembro . Segundo a Farsul, atrasos podem fazer produtores perderem a janela ideal de plantio e reduzir o período disponível para a segunda safra .
Na virada de setembro para outubro, agricultores de Pedras Altas interromperam o plantio de arroz por falta de combustível . Nesse período, a Petrobras informou que os volumes contratados estavam sendo entregues normalmente . A situação pesa mais para quem não tem contrato fixo: o problema atinge principalmente produtores que dependem de compras imediatas .
Governo mantém monitoramento
O governo federal mantém subvenção ao diesel para sustentar as importações, que respondem por cerca de 33% da oferta de outubro . O desconto, porém, não chega diretamente ao produtor e depende de repasse por distribuidores e revendedores .
Para acompanhar o abastecimento, o MME mantém desde março a Mesa de Monitoramento do Abastecimento de Combustíveis. O grupo é coordenado pelo ministério, com ANP, Empresa de Pesquisa Energética e Senacon, e inclui importadores, refinarias, distribuidores e revendedores. O Ministério de Minas e Energia e a ANP afirmam acompanhar os estoques e a distribuição de diesel no país.
Perguntas frequentes
Por que falta diesel para produtores no RS?
Os relatos são de restrição de cotas e prazos de entrega, não de falta total do produto no país; o MME projeta oferta de 4,184 milhões de m³ para outubro, ante demanda de 3,95 milhões.
Qual o preço do diesel S500 citado pela Farsul?
A Farsul apontou preços acima de R$ 7,70 por litro em alguns pontos e relatou alta de quase 28% no preço médio em setembro.
A ANP vê risco de desabastecimento no RS?
Não. A ANP declarou não haver risco de desabastecimento no Rio Grande do Sul nem no restante do país.
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